Prejuízos do Sandy podem ser o triplo do Irene

Os prejuízos decorrentes do furacão Sandy parecem ter superado amplamente os causados pelo Irene no ano passado, mas uma avaliação precisa ainda vai demorar, por causa da própria dimensão do desastre, disseram empresas especializadas na terça-feira.

BEN BERKOWITZ, Reuters

30 de outubro de 2012 | 20h46

Uma das maiores dúvidas agora é quem irá arcar com os danos em infraestruturas públicas - túneis de metrô, trilhos de trem, transformadores elétricos, passarelas à beira-mar e atracadouros - destruídas na Costa Leste dos EUA.

Especialistas dizem que parte dos estragos será coberta por seguradoras, mas que a maior parte correrá mesmo por conta dos contribuintes.

A AIR Worldwide, uma das três principais companhias usadas pelo setor de seguros para calcular sua exposição a desastres, indicou que o Sandy deve ter causado perdas de 7 a 15 bilhões de dólares. Esses dados excluem danos causados a moradias e enchentes no metrô e túneis.

A avaliação segue à da concorrente Eqecat, que disse na noite de segunda-feira que o Sandy deveria causar 5 a 10 bilhões de dólares em danos cobertos por seguros, e 10 a 20 bilhões em prejuízos econômicos.

Se essa estimativa estiver correta, Sandy ficará sendo o terceiro pior furacão da história em termos de prejuízos (conforme valores corrigidos pela inflação), segundo o Instituto de Informação dos Seguros.

Um quadro mais claro deve surgir nos próximos dias, conforme as seguradoras levarem seus técnicos para as áreas mais atingidas. A Allstate disse que já tem mais de 1.100 agentes prontos para verificarem os sinistros depois da passagem da tempestade.

A Eqecat e as demais empresas também podem aperfeiçoar suas estimativas. A RMS, terceira grande empresa do setor, indicou que o Sandy pode superar amplamente os 4,5 bilhões de dólares em danos cobertos por apólices quando da passagem pelo Irene no nordeste dos EUA, em agosto de 2011.

"O evento Sandy é muito mais severo e impactou Nova York em um grau muito pior do que o Irene", disse o RMS em relatório na manhã de terça-feira.

Para proprietários de imóveis que tenham sofrido danos, o processo de requerer indenizações parece bastante simples. Danos causados pelo vento cabem à seguradora privada. Danos por inundações vão para o Programa Nacional de Seguros contra Enchentes, subordinado à Agência Federal de Gerenciamento de Emergências.

Só que a coisa é mais complicada, segundo advogados. Particularmente em casos nos quais um imóvel é parcial ou integralmente destruído, pode ser difícil averiguar o que aconteceu, e em qual sequência. Litígios judiciais sobre isso depois do furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em 2005, demoraram anos para serem resolvidos.

Mas essas disputas são ninharias em comparação ao problema de assegurar a enorme infraestrutura de Nova York que foi danificada pelo Sandy.

A empresa elétrica Consolidated Edison disse na terça-feira que 337 mil clientes seus podem passar quatro dias no escuro em Manhattan e no Brooklyn. O metrô deve ficar parado até o final da semana, segundo a prefeitura.

No caso da ConEd, há apólices que podem cobrir os inevitáveis processos judiciais movidos por empresas que tiveram prejuízos por causa da interrupção dos seus negócios, ou danos relacionados à explosão de transformadores, por exemplo.

Instituições como a MTA (transportes urbanos) e a Autoridade Portuária também têm seguros, mas eles podem ser insuficientes.

(Reportagem de Ben Berkowitz)

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