Premiê canadense suspende Parlamento para evitar destituição

Oposição ao governo conservador não poderá instaurar moção de censura para derrubar Stephen Harper

Efe,

04 de dezembro de 2008 | 17h14

O Parlamento canadense foi suspenso até 26 de janeiro após a reunião mantida nesta quinta-feira, 4, de manhã pelo primeiro-ministro Stephen Harper e pela governadora-geral, Michaëlle Jean. A decisão significa que a oposição ao governo conservador não poderá instaurar, na próxima segunda-feira, a moção de censura para derrubar Harper e substituí-lo por uma coalizão entre liberais e social-democratas, como estava previsto.   Os três grupos da oposição (o Partido Liberal, o social-democrata NDP e o independentista Bloco Quebequense) lamentaram a decisão de Harper e reiteraram de forma unânime que o líder conservador perdeu a confiança do Parlamento.   Após reunir-se com a governadora-geral, que atua como chefe de Estado em representação à rainha da Inglaterra, Harper anunciou que "o Parlamento retomará suas sessões em 26 de janeiro" e que, no dia seguinte, o governo apresentará o orçamento geral do Estado com um grande pacote de estímulo econômico.   Na segunda-feira, os partidos de oposição assinaram um acordo para derrubar Harper, depois que o governo do primeiro-ministro apresentou um plano orçamentário que não incluía qualquer estimulo econômico. Harper também disse que a suspensão do Parlamento permitirá que o governo "se concentre na economia."   O líder da oposição, o liberal Stéphane Dion, que, na segunda-feira, se tudo corresse conforme o previsto, se transformaria no próximo primeiro-ministro do país, afirmou que, apesar de respeitar a decisão da governadora-geral, Harper "fugiu" do confronto. Dion qualificou a situação como de grande gravidade. "Pela primeira vez no Canadá, um primeiro-ministro fugiu do Parlamento" do país, sustentou.   O líder do NDP, Jack Layton, usou termos semelhantes e afirmou que nesta quinta "é um dia triste para a democracia parlamentar". Layton acrescentou que não tem "confiança no governo de Harper" e que o primeiro-ministro "se recusa a encarar os representantes do povo canadense."   Por sua parte, o líder do BQ, Gilles Duceppe, considerou uma "ação imoral" a decisão de suspender o Parlamento e disse que os parlamentares estão determinados a cumprir seu mandato e a que "Québec se livre de Harper e de seu governo."

Tudo o que sabemos sobre:
Canadá

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.