Premiê do Canadá defende leis de segurança mais rígidas após ataque

Premiê do Canadá defende leis de segurança mais rígidas após ataque

O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, prometeu mais poderes de vigilância e detenção para as forças de segurança do Canadá nesta quinta-feira, depois que um homem armado matou um soldado e invadiu o Parlamento antes de ser morto a tiros.

RANDALL PALMER E DAVID LJUNGGREN, REUTERS

23 de outubro de 2014 | 18h35

Discursando na Câmara dos Comuns a poucos metros do local onde o atirador, um suposto convertido ao islamismo, foi abatido na quarta-feira, Harper disse que os legisladores irão agilizar os novos poderes em contrapartida à ameaça de radicais.

“O objetivo destes ataques era instilar medo e pânico em nosso país”, afirmou Harper. “Os canadenses não serão intimidados. Seremos vigilantes, mas não iremos nos apavorar. Seremos prudentes, mas não entraremos em pânico”.

Harper se comprometeu a acelerar um plano já em andamento para reforçar as leis canadenses e os poderes da polícia nas áreas de “vigilância, detenção e prisão”.

O premiê afirmou que o ataque – na esteira de um incidente na segunda-feira no qual um convertido ao islamismo atropelou dois soldados canadenses com seu carro, matando um – irá fortalecer a reação do Canadá a “organizações terroristas”.

A polícia canadense disse nesta quinta-feira que Michael Zehaf-Bibeau, o suspeito no ataque armado de quarta-feira em Ottawa, agiu sozinho e que não há nenhuma evidência de que ele tinha qualquer ligação com o suspeito do outro ataque.

Zehaf-Bibeau, um canadense que também pode ter tido cidadania Líbia, não estava entre os 90 viajantes de alto risco que a Polícia Montada Real do Canadá investigava, disseram autoridades policiais em entrevista coletiva.

Os ataques em Ottawa e Quebéc ocorreram no momento em que o governo se prepara para fortalecer os poderes de sua agência de espionagem, o Serviço de Inteligência e Segurança Canadense.

O ministro da Segurança Pública, Stephen Blaney, anunciou na semana passada que a nova legislação permitirá à agência rastrear e investigar terroristas em potencial quando viajarem para o exterior e até mesmo processá-los.

No início da sessão parlamentar desta quinta-feira, o segurança ao qual se atribuiu a morte do atirador recebeu uma salva de palmas demorada, reabrindo o debate na câmara vestido em seu uniforme cerimonial de costume.

Harper e membros do Parlamento se colocaram de pé enquanto

Kevin Vickers, sargento de armas do país, liderou o desfile tradicional que inaugura cada sessão da legislatura.

Enquanto a atividade parlamentar era retomada, a tensão na capital canadense continua alta.

A polícia prendeu um homem sob a mira de armas a poucos passos de onde Harper e sua esposa depositavam uma coroa de flores no Memorial Nacional de Guerra para marcar o assassinato do cabo Nathan Cirillo, de 24 anos, no local.

Gritando e sacando as armas, policias cercaram o homem e lhe ordenaram que se deitasse. A polícia de Ottawa informou que o homem foi detido por “perturbar a cena do crime” no memorial. Sua intenção não ficou clara de imediato.

SEGUINDO EM FRENTE

Houve quem prometesse não deixar o tiroteio afetar o clima amistoso da capital, onde os edifícios do governo são muito mais acessíveis ao público do que no vizinho Estados Unidos.

“Temos que ponderar antes de tomar quaisquer decisões precipitadas”, declarou o ministro da Justiça, Peter MacKay, aos repórteres. “Não estamos falando em fechar o Parlamento, mas sobre maneiras de garantir maior segurança”.

Os atentados a soldados em Ottawa e perto de Montréal aconteceram depois de o Canadá anunciar que irá enviar seis caças para ajudar os ataques aéreos contra os combatentes do Estado Islâmico, que dominaram partes do Iraque e da Síria.

O ministro da Defesa, Rob Nicholson, afirmou que as manobras do Canadá no Iraque seguirão em frente.

(Reportagem adicional de Leah Schnurr em Ottawa, Euan Rocha em Toronto e Julie Gordon em Vancouver)

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