Presidente da Geórgia compara Rússia à Alemanha nazista

Mikheil Saakashvili acusa russos de expulsar georgianos de suas casas e levá-los para campos de concetração

Reuters,

13 de agosto de 2008 | 17h08

O presidente da Geórgia, Mikheil Saakashvili, elevou o tom de suas acusações contra Moscou, comparando a Rússia à Alemanha nazista e denunciando os soldados russos de saquearem até tampas de privada. Falando nesta quarta-feira, 13, à rede norte-americana CBS, o líder georgiano acusou os soldados russos de estarem arrasando seu país e montando campos de concentração. "Os tanques russos estão expulsando as pessoas das suas casas, empurrando as pessoas para campos de concentração", disse, acrescentando que as tropas se aproximam de Tbilisi, capital da Geórgia.       "Tropas russas entram nas casas e as destroem, há documentários provando isso. Eles pegam coisas como móveis, tampas de privada, matam gente, aterrorizam as pessoas", afirmou. Saakashvili criticou a suposta leniência do Ocidente com a Rússia, comparando-a às ações apaziguadoras da Europa nos primeiros anos do regime nazista.   Veja também: Rússia ficará mais isolada se violar cessar-fogo, diz Rice Rússia diz que derrubou três aviões espiões da Geórgia UE apóia envio de monitores para checar trégua Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   "Falam de um cessar-fogo negociado, como esse lado deve fazer isso, como aquele lado deve fazer aquilo. Isso é apaziguamento", afirmou o líder georgiano, em entrevista coletiva. "Apaziguamento em 1938 provocou dezenas de milhões de mortes na Europa". A Rússia negou a ocorrência de saques e qualquer movimentação de suas forças em direção a Tbilisi.       Moscou também mobiliza suas armas de propaganda contra Saakashvili, chamando-o de "genocida" em busca de "aventuras sangrentas". A imprensa russa o trata de forma francamente negativa, qualificando-o como "agressor" e outros adjetivos que os livros de História habitualmente reservam apenas a Adolf Hitler.  Visivelmente irritado numa entrevista à CNN, Saakashvili rejeitou veementemente a idéia de que a Geórgia começou a guerra, ao tentar retomar o controle da Ossétia do Sul. "Estou farto, farto dessa acusação cínica e absolutamente infundada". Numa entrevista nesta quarta-feira em Tbilisi, ele elevou ainda mais o tom: "O que estamos vendo é o clássico tipo de limpeza étnica dos Bálcãs e da Segunda Guerra Mundial."  Os líderes separatistas pró-russos da Ossétia do Sul e da Abkházia também não medem suas palavras. "Isso se chama esquizofrenia, e o que se pode dizer a um esquizofrênico?", disse o chanceler abkhaz, Sergei Shamba, referindo-se a Saakashvili.  

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.