Presidente russo promete apoio aos separatistas da Geórgia

Medvedev desafia os EUA e recebe líderes das províncias da Abkházia e da Ossétia do Sul em Moscou

JAMES KILNER E GUY FAULCONBRIDGE, REUTERS

14 de agosto de 2008 | 08h58

O presidente russo, Dmitry Medvedev, prometeu nesta quinta-feira, 14, apoio às duas regiões separatistas da Geórgia, enquanto os EUA exigiam respeito à integridade territorial dessa ex-república soviética, hoje aliada do Ocidente. Num aparente desafio a Washington, Medvedev recebeu no Kremlin os líderes das duas repúblicas separatistas autônomas da Geórgia, Abkházia e Ossétia do Sul - esta última, pivô de conflitos iniciados há uma semana.   Veja também: Após anunciar retirada, Geórgia acusa Rússia de mandar tropas Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   As duas repúblicas gozam de autonomia sob proteção russa desde uma guerra ocorrida no começo da década passada. Na quinta-feira passada, a Geórgia mobilizou tropas para tentar recuperar o controle da Ossétia do Sul, o que provocou uma forte reação militar russa, que agora ocupa não só a região separatista como também uma parte da Geórgia propriamente dita. "A posição da Rússia não se altera: vamos apoiar quaisquer decisões tomadas pelos povos da Ossétia do Sul e da Abkházia em concordância com a Carta da ONU... Não só apoiamos como lhes damos garantias", disse Medvedev. Aviões militares dos EUA entregaram ajuda aos georgianos, num gesto destinado a salientar o apoio político de Washington ao governo de Mikheil Saakashvili. O tênue cessar-fogo declarado na terça-feira aparentemente continua vigorando na região central da Geórgia, mas há relatos de que tropas russas estavam se deslocando dentro de pelo menos duas cidades do país, Gori e Poti. Mas Moscou disse que está desocupando Gori, cidade estratégica 60 quilômetros a leste de Tbilisi, à beira da principal estrada que liga o leste ao oeste do país. Antes, a Rússia negava que houvesse ocupado a cidade. "Por mais dois dias as tropas russas vão ficar na região para realizar procedimentos de transferência das funções de controle aos órgãos georgianos de segurança pública, e depois disso vão sair", disse o general Vyacheslav Borisov a agências russas de notícias. Em Poti, um porto no mar Negro com um pequeno terminal petrolífero, testemunhas viram tanques russos e caminhões com soldados na manhã de quinta-feira no cais. Um diretor do porto disse, sob anonimato, que na véspera os soldados russos afundaram seis velhos navios militares georgianos. Uma outra fonte afirmou que as embarcações foram destruídas com explosivos de forma controlada, sem deixar feridos. O general Anatoly Nogovitsyn, subchefe do Estado-Maior russo, negou que haja presença militar russa em Poti.

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