Reuters/Arquivo
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Preso em Guantánamo será julgado em NY por tribunal civil

Ghailani pode ser o primeiro suspeito de terrorismo detido na base a ser julgado em território americano

21 de maio de 2009 | 00h48

Um suposto membro de alto escalão da Al-Qaeda detido na prisão de Guantánamo será enviado a Nova York para julgamento, revelaram funcionários do governo. A decisão representa um grande passo no plano do presidente americano, Barack Obama, de fechar o centro de detenção até o início do próximo ano.

 

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Ahmed Ghailani será o primeiro prisioneiro de Guantánamo levado aos EUA e o primeiro a ser julgado em um tribunal criminal civil. O funcionário, que pediu para não ser identificado, disse à agência Associated Press que o governo Obama decidiu julgar Ghailini nos EUA, mas não soube especificar quando a transferência ocorrerá.

 

Ghailani foi indiciado pelos atentados a bomba de 1998 contra embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, que deixaram 224 mortos, entre eles 12 americanos. O tanzaniano foi qualificado de prisioneiro de alto valor após ser capturado no Paquistão em 2004 e transferido para a prisão de Guantánamo, em Cuba, em 2006.

 

O anúncio deve ser feito nesta quinta-feira, dia em que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, explicará seus planos sobre Guantánamo, um dia depois de o Senado ter lhe negado os fundos para fechar a polêmica prisão para suspeitos de terrorismo. O tema do centro de detenção encravado na base naval de Guantánamo, em Cuba, está incluído no discurso sobre segurança nacional que Obama pronunciará em Washington às 11h (Brasília).

Obama anunciou o fechamento de Guantánamo para ao longo do ano, poucos dias após assumir a Presidência em janeiro. A medida, porém, enfrenta dura oposição, principalmente centrada no destino final dos últimos 240 detidos que permanecem na prisão militar desde que, em 2001, o ex-presidente George W. Bush iniciou a guerra global contra o terrorismo.

Obama fará uma revisão "das decisões que tem que se tomar sobre a forma de fechar Guantánamo", assinalou o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs. Segundo o porta-voz, Obama também explicará a ordem para que não sejam divulgadas fotos de abusos de prisioneiros em outros centros de detenção e de manter a vigência das comissões militares que julgam os supostos terroristas.

Gibbs indicou que o líder americano mantém sua decisão de fechar Guantánamo, mas explicou que até agora não foi determinado o local para onde serão transferidos alguns dos detidos.

 

Texto atualizado às 7h30.

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