Olivier Douliery/Reuters
Olivier Douliery/Reuters

Pressões internas fazem Obama apressar-se em impor sanções ao Irã

EUA e potências ocidentais acreditram que iranianos têm programa nuclear para fabricar armas

Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo

17 de abril de 2010 | 22h46

WASHINGTON - Barack Obama tem pressa. Apesar de a Casa Branca calcular que o Irã levará até cinco anos para ter armas nucleares, Obama dificilmente atenderá aos apelos do Brasil para adiar sanções a Teerã. Ele quer sanções no máximo após a revisão do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, no fim de maio.

 

Obama tem pressa porque a Casa Branca está sob tremenda pressão interna para aplicar as sanções. Além disso, os EUA temem que Israel opte por um ataque contra os reatores iranianos, como fez com a Síria em 2007. Por fim, a questão nuclear é a grande aposta de Obama para salvar sua política externa.

 

Dois projetos de lei no Congresso que preveem sanções duras, como suspensão de exportação de gasolina para e punições contra empresas, estão prontos para ser votados. Congressistas concordaram em dar um prazo para Obama obter sua solução multilateral - sanções no Conselho de Segurança da ONU.

 

Mas Obama já está tentando amarrar as sanções no CS há sete meses, lutando contra a resistência da Rússia e, principalmente, da China. O Congresso, pressionado pelo lobby pró-Israel, perdeu a paciência. "Os esforços diplomáticos fracassaram", disse recentemente o senador democrata Charles Schumer.

 

Nesta semana, 366 deputados e 80 senadores, representando mais de 70% do Congresso, enviaram uma carta a Obama pedindo "sanções extremamente agressivas" contra o Irã.

 

Israel é outra bomba-relógio. Em 1981, o país destruiu um reator no Iraque. Em 2007, bombardeou um reator na Síria. E em 2008, pediu ao governo Bush (mas não conseguiu) equipamentos e informações para atacar instalações no Irã.

 

Por fim, a solução do problema iraniano está no cerne da política nuclear de Obama. Até agora, a estratégia de aproximar-se dos adversários só irritou os aliados. O presidente americano ainda não tem nenhum sucesso para mostrar em política externa. E quer usar a questão nuclear para imprimir sua marca.

 

Pilares. A política nuclear de Obama tem três pilares: segurança nuclear, desarmamento e não-proliferação. Segurança nuclear foi tema da cúpula da semana passada em Washington, em que 47 países se comprometeram a assegurar, em quatro anos, que os seus materiais nucleares serão armazenados fora do alcance de terroristas. Obama obteve sucessos: Ucrânia, México, Canadá e Chile prometem abrir mão de seu urânio enriquecido.

 

O outro pilar de sua política, o desarmamento, foi o tema do novo Start, acordo firmado com a Rússia no dia 8. Ele reduz em um terço o número de ogivas nucleares ativas de cada país.

 

O desarmamento é parte da queda de braço entre os países que têm a bomba e os que não têm, relacionada com o terceiro pilar da política de Obama, a não-proliferação. Segundo o Tratado de Não-Proliferação (TNP), países sem a bomba comprometem-se a não fabricá-la e os que tem, a desarmar-se aos poucos.

 

Países sem bomba estão sujeitos a inspeções, para garantir que seus programas continuem a ter fins pacíficos. EUA pressionam para que mais países, como o Brasil, assinem o protocolo adicional do TNP, que torna as inspeções mais rigorosas. A vitória diplomática de Obama depende da não-proliferação - leia-se revisão do TNP e sanções ao Irã.

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