Primeira audiência sobre lei de imigração do Arizona termina sem decisão

Se não for barrada pela Justiça, legislação será a primeira do país a criminalizar a imigração ilegal

Efe,

15 de julho de 2010 | 21h15

Manifestantes protestam contra a lei na porta da Corte Federal, em Phoenix

 

PHOENIX, EUA- A primeira audiência de uma das sete para tentar impedir que nova lei de imigração do Arizona entre em vigor terminou nesta quinta-feira, 15, sem um decisão da juíza federal Susan Bolton.

 

Sob um forte esquema de segurança, a batalha legal contra a Lei SB1070 começou com a apresentação dos argumentos relacionados com o processo de David Salgado, um policial hispânico com mais de 19 anos de experiência no Departamento de Polícia de Phoenix.

 

Os representantes legais de Salgado afirmaram que a entrava em vigor da legislação obrigará os policiais a usar a origem étnica de uma pessoa como um fator para a sua prisão, o que foi refutado pelos defensores do estado, que garantiram que a nova lei proíbe o uso do perfil racial.

 

Além disso, a defesa do policial argumentou que a lei é anticonstitucional, porque viola o direito do governo federal de fazer cumprir as leis de imigração.

 

Um dos advogados de Jan Brewer, governadora do estado, respondeu culpando o governo Obama por seu fracasso em vigiar a fronteira e disse que a população do Arizona está pagando pelo aumento da violência gerada pelo tráfico de imigrantes ilegais.

 

"O Arizona não tem porque sofrer pelo sistema roto da imigração, quando tem 15.000 agentes de polícia que podem prender imigrantes ilegais", disse o advogado.

 

Ao término da audiência, Salgado disse à Efe que espera que a juíza Bolton se dê conta do enorme dano que a Lei SB1070 pode causar à comunidade se entrar em vigor.

 

"Esta lei não é boa, não resolve em nada o problema da imigração, só causará medo entre uma comunidade que não terá a confiança de chamar a polícia quando forem vítimas de uma crime", disse o policial.

 

Depois de ouvir ambas as partes, Susan Bolton não estabeleceu uma data na qual dará a conhecer sua decisão sobre o caso particular.

 

Em 22 de julho, a mesma juíza federal ouvirá os argumentos de outros dois processos contra a Lei SB1070, a apresentada pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos e outra por uma coalizão de ONGs.

 

Enquanto o caso era debatido pelas partes, no exterior da Corte Federal de Phoenix grupos contra e a favor da lei se enfrentavam.

 

Primeira no país a criminalizar a presença de imigrantes ilegais, a nova lei que entrará em vigor no próximo dia 29, se não for barrada pela Corte Federal, permite que os agentes de polícia questionem o status migratório de qualquer pessoa suspeita de estar ilegalmente no país. A lei também transforma em crime pedir emprego nas ruas.

 

Nove estados do país apoiam a controversa legislação, e tem a intenção de criar uma similar. São eles: Michigan, Alabama, Flórida, Nebraska, Pensilvânia, Carolina do Sul, Dakota do Sul, Texas e Virgínia.

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