Prisão de Guantánamo pode acabar junto com governo Bush

O governo está sob pressão interna e externa para desativar a prisão, inaugurada em janeiro de 2002

SUE PLEMING, REUTERS

02 de maio de 2008 | 19h56

O governo Bush pode anunciar atéjaneiro, quando termina o seu mandato, planos para desativar aprisão de Guantánamo, e uma iminente decisão da Suprema Cortepode ser o empurrão que falta para isso, segundo autoridades eespecialistas ouvidos pela Reuters. O governo está sob pressão interna e externa para desativara prisão, inaugurada em janeiro de 2002 na base navalnorte-americana que fica encravada em território cubano comobjetivo de receber suspeitos de terrorismo. "Uma decisão pode ser tomada neste governo no sentido deanunciar o fechamento de Guantánamo", disse uma importantefonte oficial, que pediu anonimato. "É improvável que nos próximos nove meses Guantánamo sejafisicamente (desativada), mas é possível que seja tomada adecisão política de fechá-la", acrescentou essa fonte. As autoridades dizem que nos últimos meses seintensificaram os debates e os planos a respeito de como lidarcom a prisão. O próprio presidente George W. Bush admite que ascondições do local mancharam a imagem dos EUA no mundo. "Todos estão de acordo que precisamos encontrar uma formaque afinal nos leve ao fechamento de Guantánamo, o que é adecisão política do presidente. É uma questão muitocomplicada", disse Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho deSegurança Nacional. A Suprema Corte deve decidir nas próximas semanas se ospresos de Guantánamo gozam das proteções jurídicas daConstituição norte-americana, apesar de estarem oficialmente emterritório cubano -- onde os EUA estão presentes há cerca de umséculo. "Se a Suprema Corte concluir que os detentos têm direitosconstitucionais, então haveria pouca diferença jurídica entremantê-los em Guantánamo ou mantê-los no territóriocontinental", disse uma fonte do governo. "É possível que a decisão da Suprema Corte forneça oempurrão para uma decisão política de fechar Guantánamo",acrescentou a fonte. A maioria dos 270 presos atualmente no local foi capturadano Afeganistão e está confinada em Guantánamo há anos, sem nemmesmo receber acusações formais. Mais de 500 presos já foramlibertados, sendo nove na quinta-feira. O governo diz que pretende julgar de 60 a 80 dos que restamem tribunais de crimes de guerra. "Gostaríamos de chegar ao dia em que possamos afinal fecharGuantánamo. Não queremos ser os carcereiros do mundo", disse ocapitão-de-fragata Jeffrey Gordon, porta-voz do Pentágono. Matthew Waxman, ex-funcionário dos departamentos de Defesae Estado encarregado de lidar com os presos, é um defensor dofechamento da prisão, mas diz que a decisão da Suprema Cortepode ser uma faca de dois gumes, porque a concessão dasgarantias constitucionais aos presos poderia levar à conclusãode que não há por que removê-los. "A grande crítica a Guantánamo é que ela representa umchamado 'buraco negro jurídico"', disse Waxman, atualmenteprofessor de Direito da Universidade Columbia, em Nova York. Bush e os secretários Condoleezza Rice (Estado) e RobertGates (Defesa) se dizem favoráveis à desativação, mas citamrazões logísticas e outros problemas que estariam impedindoisso. Também há no governo a intenção de anunciar o fechamento daprisão ainda no governo Bush, para não deixar que o sucessor,eventualmente da oposição, fique com esse crédito.

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