Prisioneiro de Guantánamo concede entrevista, diz Al-Jazira

Preso teria aproveitado telefonema para família e ligado para TV; conversa pode ser a 1ª dentro da prisão

Agência Estado e Associated Press,

15 de abril de 2009 | 11h36

Um prisioneiro de Guantánamo telefonou para a emissora Al-Jazira, segundo afirmou a própria emissora, para denunciar tortura e maus-tratos. Caso confirmada, a conversa seria a primeira entrevista de alguém mantido dentro da prisão mantida pelos Estados Unidos em território cubano. O chadiano Mohammed el Gharani, de 21 anos, disse que guardas o agrediram com um cassetetes e também lançaram gás lacrimogêneo, segundo a rede do Catar.

 

Os comentários foram publicados no site da emissora na terça-feira, 14. Os EUA nunca permitiram que jornalistas entrevistem detentos de Guantánamo e a Al-Jazira não informou como conseguiu falar com el Gharani. Um porta-voz da prisão, comandante Brook DeWalt, disse ao jornal The Miami Herald que o preso aparentemente usou uma de suas ligações semanais para falar com a família para conceder entrevista a um repórter. O porta-voz disse também que não havia evidências para comprovar as alegações de abuso.

 

El Gharani não informou a data do abuso, mas disse que ocorreu após a eleição de Barack Obama. O novo presidente ordenou o fechamento de Guantánamo até o fim do ano. O detento disse que se recusou a deixar a cela, pois não estavam deixando que ele conversasse com outros presos nem tivesse "comida normal". Segundo ele, um grupo de seis soldados o retirou da cela e o agrediu, quebrando um de seus dentes.

 

"Eu mal podia ver ou respirar", disse ele. Um juiz norte-americano ordenou em janeiro que el Gharani fosse libertado, rechaçando alegações de militares de que ele era parte da Al-Qaeda e trabalhou para o Taleban no Afeganistão. Ele é mantido em uma ala de Guantánamo onde os detentos recebem mais privilégios, enquanto aguardam a libertação.

 

El Gharani foi preso no Paquistão, em 2001, em uma mesquita, pela polícia local e entregue a forças norte-americanas em 2002. Ele é um dos primeiros detentos de Guantánamo e um dos mais jovens. Os EUA mantêm aproximadamente 240 pessoas na prisão, a maioria por suspeitas de terrorismo ou vínculos com a Al-Qaeda e o Taleban.

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