Prisioneiros do Taliban em Guantánamo aceitam ir para o Catar

Cinco talibans detidos na prisão militar dos Estados Unidos em Guantánamo, na Ilha de Cuba, concordaram em ser transferidos para o Catar, em uma iniciativa que o governo afegão acredita que vá impulsionar um nascente processo de paz, disse neste sábado o porta-voz do presidente Hamid Karzai, do Afeganistão.

HAMID SHALIZI, REUTERS

10 de março de 2012 | 12h34

O plano de transferência é parte dos esforços dos EUA para levar o Taliban à mesa de negociações e assim evitar o prolongamento da instabilidade no Afeganistão depois de as tropas estrangeiras de combate se retirarem do país no final de 2014.

"Temos esperança de que este seja um passo positivo para os esforços de paz", afirmou o porta-voz Aimal Faizi à Reuters, acrescentando que os prisioneiros do Taliban serão reunidos às suas famílias no Catar se a transferência se concretizar.

Essa seria uma de uma série de medidas de boa fé que poderiam pôr em andamento as primeiras negociações políticas substanciais sobre o conflito no Afeganistão desde que o governo do Taliban foi derrubado, em 2001, durante a invasão do país, liderada pelos EUA.

Um ano depois de ter sido anunciada, a iniciativa de paz do presidente norte-americano, Barack Obama, poderia em breve oferecer aos EUA uma oportunidade histórica de conseguir o fim de uma guerra iniciada como resposta pelos atentados da al Qaeda contra o país em 11 de Setembro de 2011.

Mas o esforço pela paz também representa riscos potenciais para Obama. Ele terá de enfrentar as conseqüências políticas meses antes da eleição presidencial nos EUA, já que seu governo estuda apoiar um arranjo que daria certo grau de poder ao Taliban, conhecido por sua brutalidade e interpretação extremista do islamismo.

Apesar de meses de diplomacia nos bastidores, ainda não está claro se a transferência de prisioneiros será efetuada. Aumentam as dúvidas sobre se os líderes do Taliban estão interessados em bancar a possível oposição por parte de membros linha-dura e integrantes do baixo escalão do grupo, que parecem se opor às negociações.

O principal assessor de Karzai, Ibrahim Spinzada, visitou as instalações da base de Guantánamo esta semana para obter o apoio dos cinco prisioneiros do Taliban à transferência para o Catar.

O governo de Karzai vinha reivindicando que os cinco, que integravam o alto escalão do governo do Taliban e são mantidos em Guantánamo há uma década, dessem seu consentimento antes da transferência para o Catar, pequeno país do Golfo Pérsico, onde permaneceriam sob custódia do governo.

As autoridades dos EUA esperam que a iniciativa ganhe impulso suficiente para que Obama anuncie o estabelecimento de negociações políticas plenas entre o governo de Karzai e o Taliban durante uma cúpula da Otan, em maio.

Isso representaria uma grande vitória para a Casa Branca e poderia aliviar parte da ansiedade criada pelos planos de nações da Otan de gradualmente retirarem suas tropas até o fim de 2014 do Afeganistão, deixando a inexperiente força militar afegã e o frágil governo do pais diante de uma insurgência ainda com enorme vigor.

Algumas autoridades dos EUA definem os prisioneiros do Taliban como dos mais perigosos atualmente em Guantánamo.

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