Problemas com o fisco atingem o 4º indicado de Obama

Marido de Hilda Solís, da pasta do Trabalho, pagou impostos na véspera da audiência de confirmação da mulher

Agências internacionais,

06 de fevereiro de 2009 | 09h35

Hilda Solís, indicada para o Departamento do Trabalho do governo Obama, protagoniza o quarto incidente envolvendo sonegação fiscal, ainda que a dívida envolva apenas o seu marido. Segundo a imprensa americana, Sam Sayyad pagou na quarta-feira - véspera da audiência de confirmação de cargo da mulher - cerca de US$ 6.400 para resolver embargos tributários que estavam pendentes durante 16 anos contra seu negócio. A comissão do Senado adiou a votação, prevista para quinta-feira, para confirmar seu nome com o argumento de que precisa de mais tempo para examinar o histórico dela. Na terça-feira, renunciaram Tom Daschle, indicado para secretário da Saúde, e Nancy Killefer, que era encarregada de garantir eficiência na Casa Branca. Daschle deixou de pagar US$ 128 mil em impostos, além de ter recebido US$ 5 milhões de empresas de saúde nos últimos anos - justamente as empresas que ele supervisionaria em seu novo cargo. Tim Geithner, o outro sonegador, pagou cerca de US$ 40 mil em impostos atrasados e escapou - foi confirmado pelo Senado como secretário do Tesouro.  A Casa Branca defendeu a escolha de Hilda como futura secretária de Trabalho do gabinete de Barack Obama, afirmando que as declarações de impostos da nomeada foram examidadas e estão "em dia", insistindo que foi o marido da candidata quem teve problemas como o Fisco. "É por isso que não vamos penalizá-la por erros cometidos por seu marido". Citando fontes da Administração do presidente Barack Obama, o jornal USA Today disse que essa revelação surgiu pouco antes de a comissão votar para recomendar a confirmação de Hilda no cargo no plenário do Senado. Outro porta-voz da Casa Branca, Tommy Vietor, afirmou que a nomeada e Sayyad não tinham conhecimento da dívida até esta semana, e que a dívida foi paga na quarta-feira. Segundo o porta-voz, Hilda, legisladora democrata de 51 anos pelo Estado da Califórnia, declaram juntos os impostos por rendimentos pessoais, mas Sayyad é o único proprietário do negócio e responsável por todas as comunicações fiscais. Antes da derrocada fiscal dos indicados, havia causado mal-estar a leniência de Obama com lobistas, depois de ter baixado uma ordem executiva estabelecendo duras regras contra a influência do lobby na Casa Branca. O vice-secretário de Defesa, William Lynn, teve de receber uma dispensa do cumprimento das novas regras de ética, pois era lobista da Raytheon, fornecedor da secretaria, o que em tese o impediria de servir no governo. O enviado especial ao Oriente Médio, George Mitchell, não era um lobista registrado, mas atuava numa área cinzenta de consultoria - venda de influência para empresas. E o chefe de gabinete de Tim Geithner no Tesouro era lobista da Goldman Sachs. Além de abalar a credibilidade, os contratempos com os indicados atrapalham o andamento do governo. O afastamento de Daschle deve atrasar o início da reforma do sistema de saúde.  (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo)

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