Processos de Guantánamo criam atrito entre generais dos EUA

Um generalnorte-americano disse em depoimento, na quarta-feira, que apressa em instalar os processos contra acusados de terrorismoem Guantánamo levou um consultor jurídico do Pentágono a adotarcomportamentos levianos. "A estratégia parecia ser 'pulverizar [acusações] e rezar','vamos lá, rapidez, rapidez, rapidez"', disse o general."'Indiciem-nos, indiciem-nos, indiciem-nos e vamos rezar paraque dê certo"'. Zanetti, comandante-adjunto da força-tarefa que dirige aprisão de Guantánamo, depôs na audiência preliminar do processocontra Mohammed Jawad, um afegão acusado de jogar uma granadacontra um jipe militar dos EUA num bazar de Cabul, em 2002,ferindo dois soldados norte-americanos e seu intérprete local. Os advogados de Jawad, também militares, dizem que oprocesso deveria ser arquivado por ter sofrido a influênciaindevida do brigadeiro Thomas Hartmann, encarregado de darconsultoria jurídica ao Pentágono. O depoimento de quarta-feira, portanto, contrapõe doisoficiais generais, mostrando que há divergências nos quartéis arespeito do sistema jurídico criado em Guantánamo, alvo demuitas críticas de ativistas de direitos humanos. Falando por link de vídeo do Pentágono, Hartmann disse quesua tarefa foi colocar os processos em andamento de forma justae transparente, mas admitiu que pediu aos promotores casos que"capturassem a imaginação do público". Críticos dizem que obrigadeiro determinava quem e quando deveria ser indiciado. O coronel Moe Davis, ex-promotor-chefe de Guantánamo, dissena quarta-feira que o caso de Jawal "passou do freezer para afrigideira graças ao brigadeiro Hartmann", e que osprocuradores foram orientados a iniciar antes da eleição denovembro os julgamentos de cinco acusados de envolvimento comos atentados de 11 de setembro de 2001. Zanetti disse que Hartmann agia de forma "abusiva,intimidadora e não-profissional" e costumava fazer piadasgrosseiras. Em seu depoimento, Hartmann disse que questionava ospromotores sobre os pontos fortes e fracos de cada processo,mas nunca decidindo quem seria indiciado. O papel de Hartmann no julgamento também está sendoquestionado pelos advogados de Omar Khadr, réu canadense quetambém passou por audiência preliminar na quarta-feira. Tanto Jawal quanto Khadr podem ser condenados a prisãoperpétua. Ambos eram menores de idade na época em que foramcapturados no Afeganistão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.