Projeto de mesquita em NY segue sem mudanças, diz responsável

Sharif El-Gamal nega que organizadores tenham aceitado mudar local da construção

Efe,

29 de setembro de 2010 | 19h46

 

NOVA YORK- O responsável pela construção do centro islâmico que deve ser erguido no Marco Zero de Manhattan, onde será construída uma mesquita e espaços de oração para judeus e cristãos, garantiu nesta quarta-feira, 29, que o projeto permanece sem alterações e descartou a existência de negociações para mudar o local.

 

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"Não estamos debatendo a possibilidade de mudar o lugar do projeto", assegurou hoje em entrevista ao programa "Today" da rede NBC o empresário Sharif El-Gamal, desenvolvedor do projeto Park51, conhecido também como Casa de Córdoba, que levantou uma grande polêmica em Nova York e em todo os Estados Unidos.

 

El-Gamal negou que tenha sido colocado um novo entrave para o centro, que já tem permissão para ser erguido no número 51 da rua Park Place na baixa Manhattan, a duas quadras do lugar onde ficavam as Torres Gêmeas até serem destruídas pela Al-Qaeda em 11 de setembro de 2001.

 

O organizador descartou a possibilidade de o projeto ser transferido para a rua Cliff, a aproximadamente sete quadras do Marco Zero, como tinham afirmado alguns meios de comunicação, segundo os quais os responsáveis pelo projeto - entre os

quais também está o imã Feisal Abdul Rauf - tinham cedido às pressões.

 

O centro, de caráter comunitário e aberto a todo o público, terá, além dos espaços religiosos, instalações tão variadas como uma piscina, salas de exposições, salas de aula, um restaurante e uma escola de culinária, assim como um espaço em memória das vítimas dos atentados de 2001.

 

A opinião pública se dividiu entre os que apoiam o direito de construir o centro islâmico e aqueles que acham que o projeto é uma falta de respeito às vítimas do 11 de setembro. Ambos os lados fizeram intensas manifestações por ocasião do nono

aniversário dos atentados.

 

No entanto, segundo El-Gamal, a comunidade dessa área de Nova York é "amplamente favorável" ao centro islâmico, "um projeto que desejam para um bairro que está sendo revitalizado de forma acelerada, e que nós visualizamos como uma maneira de devolver à comunidade tudo o que nos deu".

 

De acordo com ele, a polêmica gerada pelo projeto foi "reveladora" para ele, que disse ter se dado conta das incontáveis "inexatidões" com as quais a imprensa e vários americanos tratam o islã, e atribuiu a controvérsia ao "medo que torna as pessoas irracionais".

 

"Nós, muçulmanos, somos americanos pacíficos", explicou o responsável pela construção, que nasceu no bairro nova-iorquino do Brooklyn e tem mãe polonesa de origem católica e pai egípcio muçulmano.

 

El-Gamal conclamou seus compatriotas a verem o islã como uma religião "pacífica" e lamentou que "os extremistas" tenham roubado "a verdadeira identidade dos muçulmanos".

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