Projeto de reforma da saúde não passará na Câmara, diz Pelosi

A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse na quinta-feira que não acredita na aprovação sem emendas do projeto de reforma da saúde aprovado no Senado.

REUTERS

21 de janeiro de 2010 | 18h32

"Não vejo votos (da Câmara) para isso", disse Pelosi a jornalistas, acrescentando que os líderes parlamentares vão levar o tempo que for necessário para buscar a abordagem correta que leve à aprovação da reforma do sistema de saúde neste ano.

"Na sua presente forma, sem qualquer mudança, não acho que seja possível aprovar o projeto do Senado na Câmara", acrescentou.

Levar à votação na Câmara do projeto aprovado no Senado era uma opção cogitada pelos democratas depois da vitória eleitoral, na terça-feira, de um republicano para assumir a vaga do Senado que pertencera ao democrata Ted Kennedy. Com o resultado da eleição suplementar em Massachusetts, os democratas ficaram sem a maioria qualificada de 60 votos no Senado, crucial para superar obstruções regimentais da oposição.

Mas alguns deputados democratas se opõem a várias medidas que constam do projeto do Senado, inclusive o imposto sobre planos de saúde mais caros e a derrubada de restrições para o uso de verbas federais para cobrir abortos.

Pelosi disse que "tudo está sobre a mesa" com relação à reforma da saúde, a prioridade doméstica do presidente Barack Obama.

Preparando-se para a eleição parlamentar de novembro, muitos democratas preferem se voltar para projetos que gerem empregos e fortaleçam a economia, em vez de discutirem a impopular reforma da saúde.

"Há uma forte visão em ambas as bancadas de que queremos fazer algumas coisas boas a respeito da saúde, e a questão é (...) quanto e com que rapidez", disse o senador democrata Chuck Schumer a jornalistas. "Não acho que desejemos ficar os próximos três meses fazendo (a reforma da) saúde".

Outras opções incluem montar um projeto mais reduzido e usar um procedimento parlamentar chamado reconciliação, unindo elementos principais das versões da Câmara e do Senado.

Isso iria exigir apenas 51 votos no Senado, mas se limita a questões que têm impacto orçamentário. Ambas as possibilidades podem levar mais tempo do que os democratas gostariam de gastar.

"Eu não diria que existe 'a' opção agora, Há duas ou três", disse Schumer.

Tanto a versão aprovada na Câmara quanto a do Senado preveem a ampliação da cobertura da saúde para mais de 30 milhões de pessoas hoje descobertas, criam uma espécie de Bolsa onde as pessoas poderiam buscar planos mais baratos e impedem práticas dos seguros-saúde, como recusar cobertura a pessoas com doenças pré-existentes.

(Reportagem de Donna Smith e David Morgan)

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