Projeto secreto da CIA previa assassinatos

Segundo jornal, plano ocultado por Cheney era o de matar membros da Al-Qaeda

Gustavo Chacra, de O Estado de S. Paulo,

14 de julho de 2009 | 09h38

O plano de assassinatos seletivos de membros da Al-Qaeda elaborado pelo ex-vice-presidente americano Dick Cheney incluía operações para matar suspeitos de terrorismo em países aliados dos EUA. A informação foi confirmada na segunda-feira, 13, por fontes da CIA, que disseram que os governos desses países aliados não haviam sido informados sobre o programa.

Aparentemente, a CIA não levou adiante os assassinatos, mas o Exército americano sim. As operações seriam semelhantes às realizadas pelo Mossad, o serviço secreto de Israel, que realiza assassinatos seletivos contra líderes do Hamas.

Segundo o jornal britânico The Guardian, um dos assassinatos ocorreu no Quênia. O caso teria causado um atrito diplomático entre Washington e Nairóbi, já que o governo queniano não havia sido informado sobre a operação.

Em entrevista para a rede de TV Fox News, a senadora democrata Dianne Feinstein afirmou que há duas semanas o atual diretor da CIA, Leon Panetta, informou os congressistas americanos sobre o caso e disse que havia cancelado o programa.

Cheney não comentou as informações. No domingo, ele foi acusado de ter criado o programa de assassinatos seletivos após o 11 de Setembro. Em outras ocasiões, ele defendeu a tortura em interrogatórios, argumentando que graças a essas medidas os EUA não sofreram ataques terroristas em seu território desde 2001.

O presidente dos EUA, Barack Obama, afirma ser contrário à tortura em interrogatórios, às prisões secretas e à transferência de suspeitos de terrorismo para países que utilizam tortura contra prisioneiros.

Deputados e senadores democratas condenaram a atitude de Cheney e querem que o ex-vice-presidente americano seja investigado. "O Poder Executivo não pode criar programas como esse e deixar o Congresso no escuro. Esconder um programa desta magnitude não é apenas inapropriado, mas é também ilegal", disse o senador democrata Dick Durbin.

Já os congressistas republicanos estão mais cautelosos. O senador Jeff Sessions, da Comissão de Justiça do Senado, afirmou que não conhece bem os fatos e defendeu o ex-vice-presidente americano. "Acredito que Cheney tenha servido o país com fidelidade e sempre tentado agir de uma maneira efetiva."

A ordem para atacar membros da Al-Qaeda teria sido dada pelo próprio ex-presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de Setembro. A CIA recusou-se ontem a comentar o caso. "Não comentamos a substância desses esforços", declarou George Little, porta-voz da agência.

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