Lucas Jackson/Reuters/Arquivo
Lucas Jackson/Reuters/Arquivo

Promotores de Nova York devem arquivar caso de Strauss-Kahn

Promotoria vai recomendar a juiz que caso seja recusado após revelações sobre camareira

DANIEL TROTTA, REUTERS

22 de agosto de 2011 | 13h00

NOVA YORK - Promotores pareciam prontos nesta segunda-feira, 22, para arquivar as acusações contra o ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn, em uma virada surpreendente no caso contra um homem que muitos enxergavam como o próximo presidente da França.

O gabinete do Promotor de Justiça de Manhattan vai recomendar a um juiz que o caso seja recusado depois que eles perderam a confiança na acusadora, uma camareira de 32 anos da Guiné, devido a mentiras que ela contou sobre o seu passado, divulgou a mídia de Nova York.

Strauss-Kahn, que negou as alegações, era o favorito para as eleições presidenciais de abril de 2012 na França até que Nafissatou Diallo o acusou de obrigá-la a fazer sexo oral em 14 de maio no hotel Sofitel de Nova York.

Ele foi preso e obrigado a renunciar ao cargo de diretor do FMI dias depois.

 

Audiência

Diallo iria se reunir com os promotores às 16h (horário de Brasília) desta segunda-feira e eles iriam informá-la que o caso fora rejeitado, disse Kenneth Thompson, advogado da mulher.

Strauss-Kahn deve aparecer no tribunal na terça-feira, mas até lá a retirada das acusações seria apenas uma formalidade se os promotores tornarem pública a decisão nesta segunda-feira.

Os advogados de Diallo disseram que iriam pedir um promotor especial para seguir com uma acusação criminal, mas especialistas dizem que isso teria poucas chances de acontecer.

Mas Strauss-Kahn não está completamente livre das acusações. Ele ainda enfrenta um processo civil aberto por Diallo em 8 de agosto e uma denúncia da escritora francesa Tristane Banon, que disse que ele tentou estuprá-la durante uma entrevista em 2003. Autoridades em Paris estão considerando se vão levar adiante essa acusação.

 

Reviravolta

Os promotores inicialmente disseram que Diallo era uma testemunha credível e o depoimento dela ajudou a convencer o grande júri a acusar formalmente Strauss-Kahn, mas o caso se desmantelou desde o fim de junho, quando a promotoria revelou que Diallo inventou uma história sobre ter sido estuprada por um bando quando pediu asilo nos Estados Unidos, e mentiu também sobre outros aspectos de seu passado.

Essa revelação ameaçou a credibilidade dela como testemunha e levou os promotores a concordarem em colocar Strauss-Kahn, de 62 anos, em prisão domiciliar, embora ele continuasse impedido de deixar o país. Ele pode pegar até 25 anos de prisão se for condenado.

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