Proposta de controle nuclear dos EUA divide opiniões

Os Estados Unidos não convenceram oscríticos da sua proposta de fixar critérios para vendertecnologia de enriquecimento de urânio a países não-nucleares,ao invés de uma proibição total, segundo diplomatas presentesna terça-feira a uma reunião de 45 países. Canadá, Brasil, África do Sul e Argentina, segundo eles,questionaram a nova proposta, avaliando que ela continuaafetando o direito ao desenvolvimento da energia nuclear epotencialmente os priva do mercado global. Washington apresentou sua fórmula durante a reuniãoconsultiva de dois dias do Grupo de Fornecedores Nucleares(GFN), em Viena, na esperança de chegar ao consenso para suaaprovação durante a sessão plenária dessa entidade, marcadapara 19 a 23 de maio em Berlim. "Se as posições permanecerem tais quais estão, issodefinitivamente não vai passar no plenário," disse um diplomataeuropeu. Outras fontes afirmaram, também sob anonimato, quequalquer solução vai demorar. O GFN busca impedir a proliferação nuclear fazendorestrições à transferência de tecnologias que possam ser usadasno desenvolvimento de bombas atômicas. Mas o urânio enriquecido é também a base da energia nuclearpacífica, e o Tratado de Não-Proliferação, ao qual todos ospaíses do GFN aderiram, assegura a seus participantes o direitode desenvolver a energia atômica. O Canadá, maior produtor mundial de minério de urânio,lidera a pressão para que Washington aceite o fim da proibiçãodo comércio relativo ao enriquecimento, que é renovada desde2004 pelo G8 (grupo de países industrializados) devido ao temorde que o Irã use o seu programa de enriquecimento de urâniopara desenvolver armas atômicas. Mas diplomatas dizem que os quatro críticos na reunião doGFN sentiram que a oferta dos EUA para estabelecer critériosnessas vendas não garantia os direitos nucleares de todos e naprática perpetuava um "cartel" de seis países que produzem eexportam urânio enriquecido. "Essa é uma questão tão comercial quanto qualquer outra. OCanadá quer critérios que atenderiam às preocupações denão-proliferação e criariam um ambiente comercial equilibrado",disse outro diplomata ocidental. O principal empecilho na proposta norte-americana é a regraque impede a venda de equipamentos passíveis de cópia --ouseja, os países vendedores deveriam ter agentes operando nospaíses compradores para evitar o vazamento de segredos parafins militares ou industriais. Diplomatas disseram que Canadá, Brasil, África do Sul eArgentina temem que a regra prejudique os seus eventuaisprogramas de enriquecimento e impeça que no futuro os vendam apaíses que cumprem os termos do Tratado de Não-Proliferação. André Lemay, porta-voz da chancelaria canadense, disse emOttawa que a proposta dos EUA é positiva, mas "não trata detodas as preocupações" do país. A maioria dos países que usam energia nuclear importa ocombustível atômico ao invés de refiná-lo por conta própria.Apenas seis deles -- Estados Unidos, Rússia, França,Grã-Bretanha (os quatro com armas nucleares), Alemanha eHolanda --enriquecem urânio e o vendem para o exterior.

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