Proposta de orçamento deve trazer choque entre Bush e Congresso

O presidente norte-americano, GeorgeW. Bush, vai anunciar na segunda-feira um orçamento de 3trilhões de dólares que provavelmente causará novas disputasentre a Casa Branca e o Congresso, liderado pelo PartidoDemocrata, sobre o financiamento de guerra do Iraque, os cortesem impostos e a economia em queda. Embora os democratas e a Casa Branca estejam cooperando numpacote de 150 bilhões de dólares para ajudar a economia, oorçamento apresentado pelo presidente -- o último de suaadministração -- também vai incluir previsões de déficit quepodem lançar ainda mais sombra sobre as previsões econômicas. Diante da ameaça de recessão e de um pacote caro deestímulos, especialistas questionam se Bush vai conseguirreduzir gastos e honrar sua promessa de equilibrar o orçamentoaté 2012 e se conseguirá convencer o Congresso a tornarpermanentes os cortes nos impostos que vencem em 2010. Jason Furman, membro sênior do Brookings Institution, disseduvidar que qualquer dos lados consiga avançar muito napromoção de suas posições no orçamento. "Não me parece plausível que estes cortes nos gastos sejampromulgados ou que vejamos mudanças nos impostos," disse ele."No último ano do mandato de Bush, e com um Congressodemocrata, acho que este orçamento não terá vida mais longa queo orçamento mediano." O ex-funcionário do Banco Central americano e atual membrodo American Enterprise Institute Vincent Reinhart disse que ascondições econômicas atuais não ajudam a causa de Bush. Para tentar aliviar os temores dos setores republicanos quevêm criticando o presidente por tolerar grandes aumentos nosgastos nos primeiros anos de sua presidência, Bush pretendecongelar a maioria dos gastos domésticos não relacionados àdefesa e anunciar economias de 208 bilhões de dólares comprogramas de saúde nos próximos cinco anos. A Casa Branca também pretende pedir 515 bilhões de dólarespara o Pentágono, mais outros 70 bilhões para financiar aguerra no Iraque e em outras regiões nos primeiros meses do anofiscal de 2009. Mais tarde a Casa Branca vai pedir mais dinheiro para aguerra, o que provavelmente vai desagradar mais ainda aosdemocratas, que acusam Bush de mascarar os custos reais daguerra, ao deixar de detalhá-los em seu orçamento. Para o ano fiscal de 2008, que começou em 1 de outubro de2007, a Casa Branca solicitou cerca de 190 bilhões de dólarespara a guerra do Iraque, mas o Congresso até agora aprovouapenas 70 bilhões, preferindo reter parte do dinheiro para quepossa avaliar os progressos e novamente tentar fixar umcronograma para a retirada das tropas americanas, idéia à qualBush se opõe. A batalha que se aproxima em torno do orçamento acontece emmeio a uma desaceleração aguda da economia que alguns temempossa converter-se numa recessão. Além disso, a previsão é quea Casa Branca preveja déficits orçamentários de cerca de 400bilhões de dólares para os anos fiscais de 2008 e 2009. Em 2007 o crescimento foi o mais fraco em cinco anos, odesemprego está em alta e o mercado habitacional ainda está emchoque. Tudo isso vem gerando reações fortes nos mercadosfinanceiros globais. Apesar disso, a Casa Branca disse que pretende confirmarsua previsão, feita em novembro, de que a economia vá crescer2,7 por cento em 2008, sem chance de recessão. O comitê Blue Chip de previsores privados projetacrescimento econômico de 2,2 por cento este ano e vê 38 porcento de chances de uma recessão. REUTERS MS

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