Protesto anti-EUA reúne milhares e deixa 1 morto no Afeganistão

A polícia afegã fez disparos para o alto para dispersar milhares de manifestantes antiamericanos nesta quarta-feira em Cabul, disseram testemunhas e policiais. Pelo menos uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas, e o número de vítimas ainda pode aumentar, segundo fontes oficiais.

HAMID SHALIZI, REUTERS

15 de setembro de 2010 | 09h05

Aos gritos de "Morte à América", "Morte aos cristãos" e "Morte ao (presidente Hamid) Karzai", os afegãos realizaram o maior protesto desde o início da crise desencadeada por um pastor evangélico dos EUA, que havia ameaçado queimar exemplares do Alcorão no dia 11 de setembro -- o que não aconteceu.

"Há mais de 10 mil manifestantes e alguns deles estão agitando a bandeira do Taliban", disse o policial Mohammad Usman. A TV Reuters mostrou, de fato, vários manifestantes com enormes bandeiras brancas, símbolo usado por seguidores do Taliban.

O protesto ocorre três dias antes de uma eleição parlamentar que o Taliban promete prejudicar. A votação serve de teste para a estabilidade do Afeganistão, o que pode se refletir na revisão estratégica de dezembro nos planos de guerra dos EUA no país.

No fim de semana, três pessoas já havia morrido durante manifestações contra o pastor norte-americano Terry Jones, que pretendia queimar exemplares do livro sagrado do islamismo num protesto contra o terrorismo.

Zabihullah Mujahid, porta-voz do Taliban, disse que o grupo está a par dos protestos, mas não tem envolvimento neles.

"As pessoas podem ter levantado as bandeiras do Taliban para mostrar seu sentimento e simpatia pelo Taliban", disse Mujahid à Reuters, falando de um local não revelado.

Na Ponte de Kandahar, em Cabul, a polícia recebeu ordens de avançar contra um grupo de centenas de manifestantes que atiravam pedras e se dirigiam aos policiais, chamando-os de "escravos dos americanos."

Policiais foram vistos disparando para o alto e removendo vários manifestante do local. Os participantes do protesto acabaram se dispersando, e vários deles se refugiaram em casas do bairro, habitado principalmente por membros das etnias pashtun e tadjique.

Antes disso, os manifestantes haviam se reunido na zona oeste da capital, queimando pneus e bloqueando a principal estrada que dá acesso ao sul. Uma espessa fumaça negra se erguia na região, e a polícia manteve os jornalistas a uma distância de centenas de metros.

Testemunha da Reuters no local viram duas pessoas inconscientes, cobertas de sangue, sendo retiradas após aparentemente terem sido baleadas.

(Reportagem adicional de Sayed Salahuddin)

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