Protesto contra julgamento de negros reúne centenas nos EUA

Ativistas reclamam de tratamento diferenciado adolescentes brancos acusados de incitar racismo

Agências internacionais,

20 de setembro de 2007 | 17h06

Centenas de manifestantes de entidades de defesa dos direitos humanos realizaram uma marcha na cidade americana de Jena, no Estado da Louisiana, contra o julgamento dos seis adolescentes americanos afrodescendentes acusados de terem atacado e tentado matar, em dezembro de 2006, um colega branco. Os ativistas afirmam que a acusação maraca a volta do racismo ao estado. Veja também:Bowie doa US$ 10 mil para a defesa de seis suspeitos A polêmica começou em agosto de 2006, durante uma assembléia de volta às aulas no Colégio Secundário de Jena, depois que um estudante perguntou a funcionários do colégio da cidade se alunos negros poderiam se sentar sob uma árvore conhecida como a "árvore branca" da escola.  "Você sabe que você pode sentar onde bem entender", respondeu um funcionário. Na manhã seguinte, duas forcas foram encontradas penduradas na árvore, segundo o relato de estudantes. Os objetos foram logo retirados, e três alunos brancos suspensos pela provocação. Após a insistência de alguns pais, a procuradoria e o FBI investigaram o caso, mas decidiram não abrir uma processo.  Brigas começaram na escola nas semanas seguintes, e em dezembro um aluno branco foi espancado e levado para o hospital. Foi aí que os seis alunos negros foram presos.  A partir daí, eles foram julgados como adultos pela tentativa de homicídio não premeditado, o que foi amplamente criticado. O Tribunal reviu a decisão e reduziu a acusação para assalto. Vestindo roupas pretas, os ativistas chegavam de todo o país para o protesto na cidade. Em declarações antes do início da marcha, o líder da campanha de direitos civis, reverendo Al Sharpton, afirmou que o julgamento era o mais primitivo exemplo de disparidades no sistema judiciário jamais visto. "Não podemos ter dois padrões de justiça". A reclamação entre os ativistas é de que não houve indiciamento contra os jovens brancos acusados de fazer provocações racistas. A cidade de 3.500 habitantes nunca testemunhou uma multidão como a reunida para o protesto. Autoridades tentavam orientar os manifestantes para que estes cheguem aos pontos de encontro e dezenas de banheiros químicos foram espalhados na cidade. "Encontrar a Justiça" O procurador Redd Walters disse nesta quarta-feira, 19, que a acusação contra os seis adolescentes não tem e nunca tiveram relação com racismo. "Ela é sobre encontrar justiça para uma vítima inocente e assegurar que as pessoas se responsabilizem pelos seus atos." O menino branco foi espancado até ficar inconsciente. Após o incidente, o adolescente chegou a comparecer a um evento da escola na mesma semana. Um dos acusados, Mychal Bell, foi condenado culpado por agressão em junho por um júri formado somente por cidadãos brancos. A corte decidiu julgar o acusado, que na época tinha 16 anos, como adulto perante a justiça. Os outro cinco suspeitos ainda não foram julgados.

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