Protesto contra treinamento militar atrai milhares nos EUA

População pede pelo fechamento de escola suspeita de treinar forças latinas responsáveis pela tortura

Reuters,

19 de novembro de 2007 | 11h37

Milhares de pessoas fizeram no domingo, 18, um protesto diante de um quartel do Exército dos EUA para exigir o fechamento do célebre Instituto para a Cooperação de Segurança no Hemisfério Ocidental, a antiga Escola das Américas, suspeita de treinar forças latino-americanas para torturar e matar. Manifestantes dizem que o instituto ensina agentes latino-americanos a usarem táticas repressivas, e que dali saíram oficiais que derrubaram governos legítimos, como o do chileno Salvador Allende, vítima do golpe militar de Augusto Pinochet em 1973. O pré-candidato democrata a presidente Dennis Kucinich participou da manifestação anual em frente ao quartel Fort Benning, na Geórgia. "Ao longo de várias décadas, pessoas treinadas aqui assassinaram e torturaram centenas, se não milhares, de pessoas", disse o manifestante Bob Goodman, da Coalizão da Geórgia por Justiça e Paz. Um porta-voz do instituto, principal unidade de treinamento em idioma espanhol do Departamento de Defesa, negou qualquer envolvimento em atividades imorais, alegando que sua missão é promover a democracia. "[A acusação] nunca foi verdadeira, e dizer isso sem provas é uma difamação moral contra as pessoas que trabalham aqui. Trata-se de uma escola do Exército dos EUA, que tem de seguir as doutrinas e regras que se aplicam ao Exército dos EUA", declarou o porta-voz Lee Rials. Segundo Goodman, 20 mil pessoas participaram dos dois dias de protestos. Monica Manganaro, porta-voz do quartel Benning, onde atualmente fica o instituto, afirmou que houve 11.200 manifestantes e que 11 pessoas foram presas e indiciadas por invasão. O instituto afirmou em seu site que promove vários cursos de formação profissional, tendo "desenvolvido e implementado um treinamento sensato e eficaz a respeito de democracia, ética e direitos humanos".

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