Provável embaixador americano na China promete abordar direitos humanos no país

'Elevarei ao mais alto nível estes assuntos de direitos humanos e casos individuais com funcionários do governo chinês', prometeu Gary Locke

Efe,

27 de maio de 2011 | 02h06

WASHINGTON - Designado próximo embaixador dos Estados Unidos na China pelo presidente Barack Obama, Gary Locke prometeu na quinta-feira, 26, que pressionará o governo de Pequim por melhoras nos direitos humanos caso seja confirmado no cargo pelo Senado.

Durante sua audiência de confirmação na Comissão de Relações Exteriores da Câmara, Locke afirmou que os EUA têm preocupações significativas com a repressão sofrida por artistas, advogados e blogueiros na nação asiática.

"A proteção e a promoção da liberdade são princípios fundamentais da política externa dos EUA e, se conquistar a confirmação, serei um firme defensor dos direitos universais na China", afirmou Locke, ao descrever seu vigoroso desacordo com a repressão aos dissidentes no país oriental.

"Elevarei ao mais alto nível estes assuntos de direitos humanos e casos individuais com funcionários do governo chinês", prometeu durante a audiência de pouco mais de uma hora, na qual esteve acompanhado de sua esposa e três filhos.

O presidente do Comitê, o democrata John Kerry, revelou que crê na confirmação de Locke e o estimulou a pressionar pelos direitos humanos em território chinês, especialmente à luz da onda de protestos pró-democracia no Oriente Médio.

De acordo com Kerry, a China é uma potência econômica, mas segue na retaguarda no que diz respeito aos direitos humanos.

Por sua vez, o provável embaixador, ex-secretário de Comércio americano, disse ao Comitê que uma das metas dos EUA é aumentar as exportações à China, atualmente a segunda economia do mundo e o segundo parceiro comercial do país, depois do Canadá.

Segundo dados oficiais, os Estados Unidos registraram em 2010 um déficit comercial com a China de US$ 273,1 bilhões, um aumento de 21% em relação a 2009.

Além disso, os chineses são os principais credores estrangeiros da dívida americana, por possuir a quarta parte da dívida total de US$ 4,5 trilhões, destacou durante a audiência o senador Richard Lugar.

No entanto, Locke garantiu que o endividamento dos EUA com a os chineses não debilita nem compromete o poder de negociação com o país asiático, uma vez que a China possui apenas 8% da dívida americana, enquanto 70% estão nas mãos de empresas nacionais.

O ex-secretário de Comércio americano também prometeu defender os direitos do empresariado de seu país ao pressionar pela proteção da propriedade intelectual e do direito das companhias estrangeiras a concorrer por contratos governamentais.

Caso consiga a confirmação do Senado, algo que os analistas veem como muito provável, Locke, de 61 anos, substituirá Jon Huntsman e será o primeiro funcionário de ascendência chinesa a ocupar o cargo de embaixador dos EUA na China.

Huntsman, ex-governador de Utah, renunciou como embaixador e agora considera a possibilidade de se lançar como candidato presidencial pelo Partido Republicano no pleito de 2012.

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