Putin acusa EUA de envolvimento militar na Geórgia

O primeiro-ministro da Rússia, VladimirPutin, acusou na sexta-feira os EUA de terem assessoresmilitares envolvidos no conflito deste mês na Geórgia, e queisso poderia ter sido tramado pela Casa Branca para ajudar osrepublicanos na eleição deste ano. As declarações dadas na sexta-feira a uma TV alemãaprofundam comentários feitos na véspera pela CNN, que a CasaBranca considerou "patentemente falsos". A Rússia está sendo muito criticada por EUA e UniãoEuropéia por ter ocupado militarmente a Geórgia e reconhecido aindependência das regiões separatistas georgianas da Ossétia doSul e Abkházia. A ação russa é uma reação à tentativa georgiana, no dia 7,de reconquistar à força o controle da Ossétia do Sul, que desde1992 já gozava de autonomia sob proteção de Moscou. Putin disseque a Rússia agiu em plena concordância com o direitointernacional ao defender a Ossétia do Sul. "Sabíamos que havia um monte de consultores militares dosEUA [na Geórgia]. Mas instrutores, professores e pessoal dearmamento militar deveriam estar em estandes de tiro e centrosde treinamento. Mas onde estavam? Estavam na zona de operaçõesmilitares", disse Putin, ex-presidente e homem-forte da Rússia,à TV ARD. "E isso nos leva à conclusão de que a liderança dos EstadosUnidos sabia da ação que estava sendo preparada, e muitoprovavelmente dela participou. De forma significativa a crisefoi provocada, inclusive por nossos amigos americanos na rotada luta eleitoral." O premiê afirmou que "se a liderança dos Estados Unidossancionou" a presença de consultores militares na zona deconflito, "então tenho a suspeita de que isso foi feitoespecialmente para organizar uma pequena guerra vitoriosa". "E se não funcionou, aí que se faça a Rússia parecer comoum inimigo, e nesses termos que se una o eleitorado em torno deum candidato presidencial, nesse caso do partido governista." Putin não chegou a citar nominalmente o candidatorepublicano a presidente dos EUA, John McCain. A Geórgia acusa a Rússia de aproveitar a crise comopretexto para tentar derrubar o presidente Mikheil Saakashvilie impedir a adesão dessa ex-república soviética à Otan. Putinrejeitou tais acusações. "Não é o caso, isso é simplesmentefazer malabarismo com os fatos, uma mentira." Segundo ele, os EUA usam a Otan para manter a Europa sobseu controle desde o fim da Guerra Fria, e nesse contexto aRússia está sendo artificialmente transformada em inimiga. "Eles precisavam de um inimigo externo, e o Irã não seencaixava muito bem nesse papel, e eles querem ressuscitar aRússia como ameaça", disse ele, acrescentando que seu país nãodeveria ser isolado.

GUY FAULCONBRIDGE, REUTERS

29 de agosto de 2008 | 21h02

Tudo o que sabemos sobre:
GEORGIAPUTINEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.