Esam Al-Fetori/ Reuters
Esam Al-Fetori/ Reuters

Radicais matam embaixador dos EUA na Líbia; em campanha, Obama reage

Diplomata que coordenou a aliança com rebeldes anti-Kadafi morre em ataque a consulado

Denise Chrispim Marin e Andrei Netto, correspondentes de O Estado de S. Paulo,

12 de setembro de 2012 | 19h57

Os EUA não descansarão enquanto os responsáveis pelo assassinato do embaixador americano na Líbia, Jay Christopher Stevens, e de outros três diplomatas não forem levados à Justiça, declarou ontem o presidente Barack Obama. “Não se enganem: a justiça será feita”, prometeu, em meio à grave crise diplomática aberta em plena campanha à reeleição.

 

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Stevens foi morto após um ataque a tiros e granadas contra o Consulado dos EUA em Benghazi, epicentro da revolução do ano passado – foi o primeiro embaixador americano morto em serviço desde 1979, quando Adolph Dubs foi assassinado no Afeganistão. Além dos americanos, nove líbios morreram e o complexo que abriga a missão diplomática foi tomado pelo fogo.

Os incidentes ocorreram na noite de terça-feira, 11 de setembro, enquanto multidões em várias cidades do mundo islâmico protestavam contra o filme Inocência dos Muçulmanos, que ridiculariza o Islã (mais informações nesta página). A morte de Stevens foi informada pelo ministro-adjunto do Interior da Líbia, Wanis al-Sharif. As circunstâncias exatas do assassinato, entretanto, ainda são desconhecidas.

De acordo com as primeiras investigações, o ataque ocorreu durante uma visita do embaixador a Benghazi. Manifestantes cercaram o consulado para arrancar a bandeira dos EUA, em protesto contra o filme. Entre eles, estavam militantes da brigada Ansar al-Sharia (Defensores da Sharia), um grupo radical que prega a adoção da lei islâmica na Líbia.

Autoridades americanas afirmaram que, em meio ao forte incêndio, colegas e seguranças da embaixada perderam contato com o embaixador. Marines e forças líbias, além de um grupo miliciano aliado, entraram em combate com os agressores e levaram quase quatro horas para retomar controle do local.

Ainda segundo Washington, Stevens foi retirado do prédio “provavelmente por líbios” e levado a um hospital. Horas depois, seu cadáver foi entregue a diplomatas americanos no aeroporto de Benghazi. Os EUA só informarão a causa da morte do embaixador após realizarem uma autópsia. O corpo estava ontem na Alemanha, assim como os americanos feridos no ataque.

Segundo Sharif, “tiros vindos de dentro do consulado causaram a ira dos manifestantes” e os americanos “não tomaram precauções necessárias”. O funcionário líbio afirmou ainda que os milicianos seriam leais ao ditador Muamar Kadafi. “São resquícios do antigo regime.”

Ecos na campanha. Em sua curta declaração, ao lado da secretária de Estado, Hillary Clinton, Obama destacou a coragem do embaixador e afirmou que ele “ajudou a salvar” Benghazi.

Pouco antes, Hillary havia exaltado a missão desempenhada por Stevens, no ano passado, ao negociar com os rebeldes contrários a Kadafi. “Como isso pôde ter acontecido em um país que ajudamos a libertar, na cidade que ajudamos a salvar?”, questionou Hillary.

O episódio e a reação da Casa Branca se converteram em munição eleitoral. Antes da fala de Obama, previamente agendada e anunciada, seu rival republicano, Mitt Romney, criticou os “cálculos errados” e as “mensagens confusas” da atual política externa.

“A liderança americana é importante. Os EUA não devem deixar de usar sua influência na região. Têm de assegurar que a Primavera Árabe não será posta em perigo e não se tornará um inverno árabe”, afirmou Romney. “O presidente e eu temos posições diferentes sobre Israel, Irã, Afeganistão, Líbia e Síria.”

Coube ao porta-voz da campanha de Obama, Ben LaBolt, rebater as críticas. “Estamos chocados com o fato de, na hora em que os EUA se confrontam com a trágica morte de um diplomata na Líbia, Romney ter escolhido fazer um ataque político.”

Aliados de Romney no Congresso prepararam o terreno para o corte da ajuda financeira dos EUA à Líbia. A prorrogação do aporte de recursos até março será votada hoje. “Ficou mais fácil dizer não”, disse o deputado republicano Jeff Landry.

/ COLABOROU ROBERTO SIMON 

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