Redução de safra dos EUA desafia metas de inflação no mundo

Para as nações como China e Índia que lutam para conter a inflação enquanto estimulam o crescimento, mesmo com a economia global enfrentando os desafios da crise da dívida da Europa, a redução da colheita nos EUA pode ser uma dor de cabeça adicional à medida que os preços dos alimentos sobem.

K.T. ARASU, Reuters

07 de agosto de 2012 | 15h13

Acrescente a isso o tempo seco no leste da Europa diminuindo as perspectivas de colheita em países grandes exportadores de grãos, como Rússia e Cazaquistão, e uma monção mais fraca na Índia, e os problemas para os formuladores de políticas poderiam se transformar em grandes desafios.

Estas nações deverão receber um alerta sobre a gravidade dos problemas que podem enfrentar quando o Departamento de Agricultura dos EUA revelar na sexta-feira o seu relatório de oferta e demanda, que trará as estimativas de colheita para os Estados Unidos, o principal exportador de grãos.

"Se as estimativas de milho e soja do USDA estiverem muito abaixo das expectativas comerciais, pode haver implicações negativas para a China e sua taxa de inflação", disse o analista de grãos veterano Rich Feltes, da RJ O'Brien em Chicago.

Há boas razões para estar preocupado. Os contratos futuros de milho na bolsa de Chicago subiram mais de 50 por cento nos últimos dois meses e os de soja, cerca de 30 por cento, à medida que a pior seca em 56 anos devastou as plantações.

O USDA reduziu sua estimativa da safra de milho dos EUA --a maior do mundo-- em 12 por cento em julho, e analistas consultados pela Reuters estão esperando que o departamento corte a estimativa em outros 15 por cento na sexta-feira, para 11,026 bilhões de bushels.

Isso reduziria os estoques finais nos Estados Unidos para o menor nível em 17 anos, deixando o país vulnerável a quaisquer choques adicionais de produção em outras partes do mundo.

Os analistas esperam que a USDA reduza sua estimativa de produção de soja dos EUA em cerca de 8 por cento, de sua estimativa de julho de 3,050 bilhões de bushels, e esperam que os estoques de soja sejam os menores desde 1980, em 112 milhões de bushels.

O banco de investimento Goldman Sachs afirmou nesta terça-feira que prevê que a produção global de trigo --excluindo China e Índia-- caia abaixo da estimativa do USDA de 665 milhões de toneladsa em 2012/13, ao menor nível desde 2007/08.

"Uma deterioração maior das condições, potenciais restrições de países da ex-União Soviética nas exportações e uma demanda crescente criam riscos para os estoques de trigo caírem ainda mais", afirmou o banco.

CALOR

Chuvas e temperaturas mais amenas são esperadas esta semana em boa parte da região produtora devastada pela seca do Meio-Oeste dos EUA, mas um retorno ao calor e à secura é provável até a próxima semana, disse um meteorologista agrícola nesta terça-feira.

"Havia muitas chuvas boas no fim de semana e uma nova rodada de chuvas é esperada no noroeste do Meio-Oeste hoje e amanhã", disse Don Keeney, meteorologista da MDA EarthSat Weather.

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