Refúgios da Al-Qaeda podem ser inacessíveis, dizem EUA

Inteligência americana afirma que grupo dificilmente será eliminados por militares

DAVID MORGAN, REUTERS

26 Julho 2007 | 01h38

Os refúgios da Al-Qaeda no noroeste do Paquistão são praticamente inacessíveis e dificilmente serão eliminados por militares paquistaneses ou norte-americanos, disseram importantes fontes de inteligência dos Estados Unidos na quarta-feira.Em audiência na Câmara dos Deputados, James Clapper, chefe de inteligência do Pentágono, afirmou que os EUA não vão ficar parados enquanto a rede militante responsável pelo 11 de Setembro de 2001 se regenera na região do Waziristão do Norte."Acho que nosso objetivo será neutralizar, não eliminar, mas certamente fazer desse refúgio - como já fizemos em outros - menos seguros e menos atraentes para a Al-Qaeda", disse Clapper na sessão conjunta das comissões de Serviços Armados e Inteligência.Clapper, que é subsecretário de Defesa, disse que a eliminação da influência da Al-Qaeda na região será um projeto de longo prazo, dependendo da ajuda econômica dos EUA à população local e de colaboração militar com o governo do país, inclusive com o envio de equipamentos sofisticados de segurança."Não acho que teremos qualquer mudança demonstrável dentro de um período de três anos", alertou.Clapper e outros funcionários falaram aos parlamentares depois que Frances Townsend, assessor de Segurança Doméstica da Casa Branca, disse que os EUA não descartavam uma ação militar contra a Al-Qaeda no Paquistão.O governo Bush liberou na semana passada trechos de um importante relatório que concluía que as forças dos EUA enfrentam uma ameaça aumentada da Al-Qaeda em parte devido às condições favoráveis que a rede encontra no Paquistão.Fontes de inteligência dizem que a Al-Qaeda se refugiou no Waziristão depois que Washington e seus aliados expulsaram os militantes, primeiro do Afeganistão, depois de áreas urbanas do Paquistão.O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, enviou mais tropas ao Waziristão, onde militantes tribais, acusados de dar abrigo à Al-Qaeda e apoiar o Taleban, ampliaram os ataques, rompendo um acordo de paz com o governo que vigorou por dez meses.Mas as autoridades pareceram minimizar as expectativas de que as atuais operações militares paquistanesas incluam um ataque total a locais da Al-Qaeda em uma região montanhosa e remota, habitada por tribos hostis e fortemente armadas."A Al-Qaeda está agora numa parte do Paquistão que é em grande medida inacessível às forças paquistanesas, ao governo paquistanês. Sempre foi. E é um ambiente operacional muito difícil para elas", disse Edward Gistaro, principal analista de inteligência dos EUA para ameaças transnacionais.

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