Regiões próximas ao Mississippi lutam para conter inundações

Cheia do rio continua causando destruição em núcleos urbanos e áreas agrícolas no Meio-Oeste americano

Efe,

20 de junho de 2008 | 16h56

O aumento do volume do rio Mississippi continua causando destruição em núcleos urbanos e regiões de cultivo da região central dos Estados Unidos, o que aumentou os preços do milho e da soja para níveis recorde. As localidades ao longo do rio Mississippi no sul de Illinois e Missouri lutam nesta sexta-feira, 20, para conter as águas do rio.   Veja também: Bush visita região americana atingida por enchentes   O Serviço Meteorológico Nacional informou nesta sexta que o aumento do volume do rio, que deixou pelo menos 24 mortos, alcançará níveis mais baixo que o esperado em dias anteriores.   Na cidade de St. Louis, a maior do Missouri, espera-se que o aumento seja de 11 metros, muito abaixo do recorde alcançado nas grandes inundações de 1993, de mais de 15 metros.   No entanto, "ainda haverá casos de muitas localidades que sofrerão inundações muito sérias. Inclusive com os níveis mais reduzidos de crescimento que prevemos, muitos locais estão ameaçados", declarou o meteorologista Jim Kramper à imprensa local.   O Serviço prevê novas chuvas hoje e amanhã nos estados de Iowa e Missouri, já muito atingidos pelas inundações, o que poderia piorar a situação. Ao longo do dia de ontem três comportas cederam ao norte de Saint Louis. A corrente que segue para o sul seguindo o curso do rio ameaça as localidades de Winfield e Elsberry, ao norte de St. Louis.   No condado de Lincoln, onde ficam as duas localidades, o rio supera o nível de 90% das comportas. Diante disto, dezenas de voluntários, apoiados por equipes da Guarda Nacional, juntaram-se aos esforços para colocar milhares de sacos de terra para proteger as comportas.   Uma primeira avaliação das autoridades hoje indica que as comportas que protegem Winfield resistem e a cidade poderia evitar o pior da inundação. Sua vizinha Foley não teve a mesma sorte e foi atingida pelas águas que transbordaram após as três comportas cederem.   Até o momento, cerca de vinte comportas cederam e muitas outras estão em perigo de ceder. Considera-se que o desastre, que já tirou a vida de 24 pessoas, pode alcançar as dimensões das inundações de 1993, consideradas uma das piores do século XX e que deixaram prejuízos de mais de US$ 20 bilhões.   As inundações atuais provocadas pelas tempestades que fizeram o Mississippi transbordar em Iowa atingiram mais de cinco milhões de hectares de terras de cultivo, o que disparou os preços da soja e do milho e despertou os temores de novos aumentos dos preços dos alimentos nos mercados mundiais.   O aumento do nível das águas destroçou pontes e estradas, fechou fábricas e deixou milhares de pessoas sem gás nem eletricidade. Apenas em Cedar Rapids, em Iowa, calcula-se que cerca de 4 mil pessoas ficaram sem lar. O tráfego fluvial está interrompido, o que causa prejuízos de vários milhões de dólares por dia para os proprietários de embarcações.   Ajuda   O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, seguiu para as áreas mais atingidas na quinta-feira para supervisionar os danos e prometeu toda a ajuda possível. "Tudo o que pudermos fazer imediatamente, o faremos", declarou Bush, que quis apagar, com sua visita, as lembranças deixadas pela gestão equivocada após a passagem do furacão Katrina, que inundou Nova Orleans em agosto de 2006.   A Casa Branca prometeu cerca de US$ 4 bilhões em ajudas de emergência procedente do fundo federal para desastres. O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, também visitou na última quinta a região atingida pelo aumento do nível do Mississippi. Seu rival democrata, Barack Obama, fez o mesmo no início da semana.

Mais conteúdo sobre:
MississippiEUAenchentes

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.