Relatório alerta Obama sobre custos da guerra no Afeganistão

Uma força-tarefa independente alertou na sexta-feira o presidente Barack Obama sobre o alto custo da guerra no Afeganistão, e disse que ele deveria considerar uma redução da missão militar caso a revisão prevista para dezembro conclua que a atual estratégia não está funcionando.

DAVID ALEXANDER, REUTERS

12 de novembro de 2010 | 19h57

A comissão de 25 integrantes, sob comando do ex-subsecretário de Estado Richard Armitage e do ex-assessor de segurança nacional Samuel Berger, apontou "sinais esperançosos" no Afeganistão, como a melhora no treinamento das forças locais de segurança, mas também alertou que outras tendências são desencorajadoras.

"O quadro nebuloso e os altos custos geram a questão de se os Estados Unidos deveriam agora diminuir suas ambições e reduzir sua presença militar no Afeganistão", disse o relatório de 98 páginas.

"Temos em mente a ameaça real que enfrentamos, mas também estamos cientes dos custos da atual estratégia. Não podemos aceitar esses custos a não ser que a estratégia comece a dar sinais de progresso", disse a força-tarefa.

Do contrário, "a força-tarefa recomenda uma mudança para uma missão mais limitada, com um nível de força militar substancialmente reduzido."

O trabalho foi patrocinado pela entidade Conselho de Relações Exteriores, sem ter sido solicitado pelo governo. Ex-funcionários do Executivo, militares, acadêmicos e jornalistas participaram do trabalho, que ouviu membros do governo envolvidos na questão.

O grupo aprovou os esforços de Obama para aprofundar a cooperação com o Paquistão, e defendeu também uma melhora nas relações comerciais. Além disso, afirmou que o governo dos EUA deveria expressar com clareza a Islamabad a necessidade de o governo local romper relações com grupos extremistas islâmicos, como Haqqani e Lashkar-e-Taiba.

Falando no lançamento do relatório, Armitage disse que se dissociar desses grupos seria do interesse do governo paquistanês, pois uma ação armada nos moldes do ataque de 2008 a Mumbai, cometido pelo grupo Lashkar-e-Taiba, pode desencadear uma guerra entre Índia e Paquistão.

Atualmente, os EUA mantêm quase 100 mil soldados no Afeganistão, combatendo os militantes do Taliban e da Al Qaeda, e treinando as forças locais para eventualmente assumirem as tarefas de segurança.

Obama pretendia iniciar a transferência das responsabilidades de segurança em julho de 2011, mas membros do governo já começam a minimizar essa possibilidade. Os secretários de Defesa, Robert Gates, e de Estado, Hillary Clinton, disseram nesta semana que seria mais realista prever o ano de 2014 como meta para isso.

A violência no Afeganistão está no seu pior nível desde a invasão norte-americana, em 2001, mas autoridades de defesa dos EUA aparentemente consideram que a estratégia está funcionando, embora precise de mais tempo. Fontes do governo sugerem que a revisão de dezembro resultará em alguns ajustes, mas não numa reformulação completa do esforço de guerra.

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