Relatório leva líderes a pedirem retirada do Iraque

Chefe do Estado-Maior e Senador republicano sugerem saída das tropas após documento sobre crise iraquiana

Agências internacionais,

24 de agosto de 2007 | 03h05

O chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, general Peter Pace, vai pedir ao presidente George W. Bush a retirada nos próximos meses de quase metade das tropas americanas no Iraque. Nesta quinta-feira, o Senador republicano John Warner também pediu o retorno de cerca de 5 mil soldados até o fim do ano.  Veja também:Inteligência dos EUA não crê em liderança de Maliki Segundo a edição desta sexta-feira, 24, do jornal Los Angeles Times, que cita como fontes "funcionários civis e militares" citados pelo jornal, "os membros do Estado-Maior acham que é de importância estratégica reduzir as dimensões das forças americanas no Iraque para reforçar a capacidade de responder a outras ameaças". Os líderes fizeram suas declarações depois da divulgação de um novo relatório elaborado por agências de inteligência americanas, segundo o qual os líderes políticos iraquianos não conseguem governar de forma "eficaz" e o governo do Iraque provavelmente vai se tornar "mais precário" nos próximos meses.  O jornal afirma ainda que a posição conta com o apoio do secretário de Defesa, Robert M. Gates. Pace comunicará a proposta a Bush na reunião do presidente com o Estado-Maior que será realizada na primeira quinzena de setembro. O Estado-Maior gostaria de retirar do Iraque aproximadamente metade das 20 brigadas de combate atualmente desdobradas. Com a correspondente redução nas unidades de apoio, a presença militar dos EUA ficaria abaixo dos 100 mil soldados, contra os atuais 162 mil. A opinião de Pace e do resto do Estado-Maior vai contra o relatório que o comandante das forças no Iraque, general David Petraeus, apresentará ao Congresso dentro de três semanas. Ele deverá defender a manutenção, pelo menos até o fim de 2008, do nível atual de forças no Iraque. A postura de Petraeus coincidiria com a da Casa Branca, como ficou claro no discurso de Bush, nesta quinta-feira. Ele insistiu na necessidade de perseverar nos esforços militares para acabar com a resistência sunita, eliminar a violência sectária e impor a estabilidade política no Iraque. Mas, segundo um "alto funcionário" citado pelo Los Angeles Times", os membros do Estado-Maior "ressaltaram nas últimas semanas seu temor de que a Guerra do Iraque deteriore a capacidade das forças armadas dos EUA de enfrentar, se for preciso, outras ameaças, como a do Irã". A redução imediata das tropas americanas no Iraque tem o apoio de muitos democratas no Congresso. Segundo Warner, que é ex-presidente do Comitê de Forças Armadas do Senado, as tropas americanas aumentaram a segurança no Iraque, mas acabaram decepcionadas pelo governo iraquiano.   Warner afirmou ainda que os Estados Unidos precisam mostrar que o seu comprometimento com o Iraque tem um limite."Nós simplesmente não podemos, enquanto nação, colocar nossos soldados em risco contínuo sem começar a tomar algumas medidas decisivas que chamem a atenção de todos", disse Warner. No entanto, Warner disse que cabe ao presidente George W. Bush, e não ao Congresso, estabelecer um cronograma de retirada. RelatórioO documento de dez páginas, conhecido como National Intelligence Estimate (NIE), reúne avaliações feitas pelas 16 agências de inteligência dos Estados Unidos. O relatório afirma que as divisões entre sunitas e xiitas continuam causando instabilidade política no Iraque e expressa "graves dúvidas" de que o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, consiga superar as divisões sectárias e cumprir as promessas do governo de unificar o país. O documento diz que a situação da segurança no Iraque melhorou de forma "mensurável, mas irregular" desde o começo deste ano, depois da escalada da presença americana no país. Mas o relatório afirma que o nível de violência no país permanece alto e que as forças de segurança iraquianas ainda não são capazes de atuar sem o apoio de tropas americanas. O relatório das agências de inteligência foi divulgado um dia depois de Bush manifestar apoio a Maliki, em um discurso para veteranos de guerra. Bush disse na quarta-feira que Maliki é "um bom homem, com um trabalho difícil". A divulgação também ocorre em um momento em que cresce a pressão dos democratas americanos pela saída de Maliki, devido ao seu fracasso em superar as divisões sectárias do Iraque. Depois da divulgação do documento, o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, disse que as conclusões do relatório "mostram claramente que a estratégia militar de contra-insurgência, em operação total desde o verão, começou a reduzir o crescimento da violência" no Iraque. "Não acredito que o presidente tenha mudado de idéia sobre o estabelecimento de um cronograma de retirada. É importante agora esperar e ouvir o que os nossos comandantes no Iraque têm a dizer sobre o futuro", afirmou o porta-voz.

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