Representante de Obama na ONU defende Convenções de Genebra

O governo de Barack Obama fez uma defesa enfática das Convenções de Genebra, relativas à conduta durante as guerras. Autoridades do governo anterior de George W. Bush haviam dito que as Convenções não se aplicavam à luta contra a Al Qaeda.

PATRICK WORSNI, REUTERS

04 de dezembro de 2009 | 19h56

A embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Susan Rice, disse que as convenções, adotadas há 60 anos, tornam o país mais forte, e não mais fraco, na luta contra o terrorismo, pois lhe confere superioridade moral.

"Nos últimos anos algumas pessoas qualificaram as Convenções de Genebra de ultrapassadas, já que enfrentamos um inimigo que não é leal a nenhum Estado, que se esconde entre civis e que viola rotineiramente as leis que as nossas próprias forças são obrigadas a cumprir", disse Rice.

"Na pior das hipóteses, o conflito que travamos hoje no Afeganistão, e de modo mais amplo a luta contra os extremistas violentos e os terroristas, tornam as Convenções de Genebra ainda mais relevantes e importantes".

Rice não citou nomes, mas integrantes do governo de Bush costumavam dizer que a manutenção de suspeitos de terrorismo sem julgamento na prisão militar de Guantánamo, em Cuba, não estava submetida às Convenções de Genebra.

A Suprema Corte dos EUA rejeitou essa opinião.

Após tomar posse, em janeiro, Obama abandonou o termo "combatentes inimigos" para se referir aos presos de Guantánamo e incorporou o direito internacional como base para mantê-los ali, enquanto prepara a desativação dessa instalação carcerária.

"Adotamos as Convenções de Genebra porque é a coisa certa a fazer", disse Rice em uma videoconferência na quinta-feira na Biblioteca do Congresso, em Washington, por ocasião do 60o. aniversário das Convenções.

No discurso, divulgado na sexta-feira pela delegação dos EUA na ONU, Rice disse que, no confronto com militantes no Afeganistão e em outros locais, "não se trata de ganhar território e sim de ganhar a confiança e o respeito da população".

"As regras que adotamos criam um campo de jogo no qual aqueles que sequestram ou que mandam caminhões-bombas para prédios de apartamentos, ou foguetes para prédios civis, não têm legitimidade. Elas favorecem a maneira como nós e outros países democráticos já nos comprometemos a lutar, e não a maneira como nossos inimigos lutam. São moralmente corretas por si, mas também nos dão uma grande vantagem".

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