Representantes de EUA e Irã se reuniram em Haia, diz Hillary

Secretária de Estado americana afirma que representantes dos dois países concordaram em manter contato

Agências internacionais,

31 de março de 2009 | 12h25

A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, confirmou nesta terça-feira, 31, que representantes dos Estados Unidos e do Irã se reuniram em Haia, na Holanda. O encontro desta terça-feira ocorreu às margens da conferência para o Afeganistão, que reúne representantes de mais de 80 países e entidades envolvidos com o conflito no país, e foi o primeiro desde que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, declarou que buscaria melhorar as relações entre os dois países.

 

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Durante entrevista coletiva, Hillary afirmou que o vice-chanceler iraniano, Mohammed Mehdi Akhoundzadeh, e o enviado dos EUA para o Afeganistão, Richard Holbrooke, tiveram um encontro "cordial e não planejado" e que os representantes de Teerã concordaram em manter contato. 

 

As relações entre os dois países foram cortadas quase 30 anos atrás, quando militantes xiitas tomaram a Embaixada dos EUA em Teerã, mantendo mais de 50 pessoas reféns por 444 dias. Ao contrário do que fazia o governo de George W. Bush, o governo de Barack Obama vem buscando ativamente um envolvimento dos EUA com o Irã, especialmente em questões de preocupação comum, como o Afeganistão. Hillary havia sugerido pessoalmente que o Irã enviasse um representante à conferência na Holanda, onde Teerã apoiou a nova estratégia dos EUA para a guerra do Afeganistão.

 

Embora o novo governo dos EUA tenha dito que quer aproximar-se do Irã, Hillary descartou a possibilidade de gestos importantes com o Irã na reunião em Haia e havia dito anteriormente não ter planos para um encontro separado com o vice-ministro do Exterior iraniano. Em referência ao discurso de Akhoundzadeh, Hillary disse: "A intervenção do representante iraniano apresentou algumas idéias muito claras que vamos discutir juntos."

 

"O fato de terem vindo aqui e discursado é um sinal promissor de que haverá cooperação futura", ressaltou a secretária de Estado. Hillary lembrou que o discurso do vice-ministro iraniano foi "promissor", já que, segundo ela, abordou questões construtivas, como um melhor controle da fronteira comum com o Afeganistão ou a luta contra o tráfico de drogas.

 

Hillary disse que durante a conferência uma carta do governo dos EUA foi entregue ao Irã, pedindo ajuda humanitária para três norte-americanos no Irã que, segundo ela, não estão conseguindo retornar aos EUA. A secretária identificou os três como sendo Robert Levinson, um ex-agente do FBI que desapareceu há dois anos durante uma viagem de negócios ao Irã, e a jornalista freelancer iraniano-americana Roxana Saberi. A terceira pessoa, Esha Momeni, é um estudante iraniano-americano detido no Irã no ano passado.

O Departamento de Estado divulgou um trecho da carta: "Pedimos ao Irã que utilize todos seus meios para localizar e assegurar o retorno rápido e seguro de Robert Levinson, para conceder a libertação de Roxana Saberi e para autorizar as viagens de Roxana Saberi e Esha Momeni"."Esses atos certamente constituiriam um gesto humanitário da República Islâmica do Irã, que seria condizente com o espírito de renovação e generosidade que marca o ano novo persa", disse Hillary. O senador norte-americano Bill Nelson escreveu a Hillary na semana passada, exortando que tratasse do caso de Levinson com os iranianos enquanto estivesse em Haia.

 

Coreia do Norte

 

Hillary afirmou ainda que os preparativos da Coreia do Norte para lançar um míssil são um outro exemplo do comportamento provocativo do país, e o Japão tem todo o direito de se defender. A Coreia do Norte anunciou que pretende colocar um satélite em órbita no espaço, mas os EUA e seus aliados asiáticos afirmam que o lançamento, na verdade, seria um teste para um míssil de longo alcance com capacidade para atingir o território norte-americano. "Esse é um exemplo infeliz e contínuo de provocação dos norte-coreanos", disse Hillary, a jornalistas, durante conferência em Haia. "Haverá consequências", acrescentou a secretária, sobre possíveis medidas do Conselho de Segurança da ONU.

 

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