Republicano Cain tenta limitar estrago de escândalo sexual

O político republicano Herman Cain, pré-candidato a presidente dos Estados Unidos, continua sendo pressionado nesta terça-feira a explicar as acusações de assédio sexual que abalaram a sua campanha.

STEVE HOLLAND E KIM DIXON, REUTERS

01 de novembro de 2011 | 19h30

Cain se disse vítima de uma "campanha difamatória", um dia depois de apresentar versões contraditórias sobre se a mulher que o acusou havia aceitado dinheiro para retirar a queixa.

Em discursos e declarações à imprensa, Cain disse inicialmente na segunda-feira que desconhecia o pagamento como parte de um acordo judicial. Depois, voltou atrás.

Na terça-feira, no entanto, ele admitiu que um pagamento havia sido feito a uma mulher que apresentou a queixa de assédio na época em que trabalhava na Associação Nacional de Restaurantes, na década de 1990, quando Cain presidia a entidade.

Em entrevista à CNN, Cain disse que as divergências ocorreram por uma questão de terminologia -- na época, ele não considerou que houve um "settlement" e sim um "agreement" (ambas as palavras significam "acordo", mas a primeira sugere a solução amigável de uma pendência judicial).

Cain disse também saber de apenas uma denúncia. O site Político afirma que duas mulheres o acusaram.

O escândalo põe em xeque a candidatura de Cain, que lidera algumas pesquisas entre os pré-candidatos republicanos, a apenas dois meses do início do processo da definição do candidato que enfrentará Barack Obama em 2012.

O caso pode ser particularmente nocivo para Cain em Iowa, Estado com forte eleitorado evangélico, que abre a disputa republicana no dia 3 de janeiro.

Por causa das denúncias, Cain precisou deixar de lado o seu discurso de geração de empregos para assumir uma postura mais defensiva. Ele afirmou à CNN que sua esposa, Gloria, com quem ele está casado há mais de 40 anos, soube da acusação de assédio logo que ela foi apresentada.

Ele disse também que o escândalo não abalou as doações à sua campanha, pelo contrário. "É uma campanha difamatória", disse Cain. "Quando não conseguem abater minhas ideias, como a 9-9-9 (limitar três impostos a alíquotas de 9 por cento), eles vêm atrás de mim no nível pessoal."

Cain, de 65 anos, inicialmente disse não se lembrar de detalhes do caso, algo que analistas dizem que é negativo para sua imagem.

"Para qualquer candidato de destaque que sofra uma acusação dessas, quaisquer fatos que sejam conhecidos para o candidato devem ser conhecidos (do público) imediatamente. Não foi desse jeito que ele lidou com isso até agora", disse o estrategista republicano Charlie Black.

Comentando a possibilidade de "algo mais" aparecer, Cain disse: "Não que eu saiba. Eu sabia desse caso na associação de restaurantes. Eu passei 42 anos no negócio antes de concorrer a presidente, e esse foi o único caso de acusação de assédio sexual, só um."

(Reportagem adicional de John Whitesides, em Iowa)

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