Republicano Huntsman entra na corrida presidencial de 2012

O republicano Jon Huntsman, ex-embaixador dos EUA na China, ingressou na disputa presidencial de 2012 por seu partido, na terça-feira, prometendo tomar "decisões duras" para impedir os EUA de afundar em um desastre de dívida.

MARK EGAN, REUTERS

21 de junho de 2011 | 14h30

Huntsman desagradou a Casa Branca em abril ao renunciar a seu cargo em Pequim para enfrentar seu ex-chefe, o presidente Barack Obama, que o nomeou embaixador em 2009.

Ex-governador do Utah, Huntsman, 51 anos, está mal posicionado em pesquisas de opinião entre republicanos, mas goza de alto perfil na mídia e preocupa a administração democrata de Obama pela possibilidade de atrair eleitores de ambos os partidos.

Discursando com a Estátua da Liberdade no pano de fundo, Huntsman prometeu imprimir uma virada ao país.

"Pela primeira vez em nossa história, estamos deixando de legado à próxima geração um país que é menos poderoso, menos compassivo, menos competitivo e menos confiante que o país que recebemos", disse. "Isto, senhoras e senhores, é totalmente inaceitável e totalmente não-americano."

Ele discursou no parque estadual Liberty, em Nova Jersey, o lugar onde o ex-presidente Ronald Reagan lançou sua candidatura à Casa Branca em 1980.

Se Huntsman ganhar ímpeto nas pesquisas de opinião, pode rivalizar com ex-governador do Massachusetts Mitt Romney no papel de candidato republicano moderado.

"Precisamos tomar decisões duras que se fazem necessárias para evitar o desastre", disse ele, pintando um retrato sombrio do problema da dívida e do enorme déficit orçamentário do país, que deve chegar a 1,4 trilhão de dólares neste ano fiscal.

"Se não o fizermos, em menos de uma década cada dólar da receita federal será usado para cobrir os custos do Medicare, Seguridade Social e os juros sobre nossa dívida. Enquanto isso, mergulharemos mais fundo em dívida sobre todo o resto, desde a segurança nacional até o alívio de desastres."

Huntsman aponta como ponto forte seu o conhecimento que tem da China, maior rival comercial global dos EUA e credor estrangeiro do país. Mas, para alguns eleitores conservadores, o fato de ele trabalhar para Obama o prejudica.

Ele aprendeu a falar chinês quando era missionário mórmon no Taiwan, em sua fase universitária. Ele e sua mulher, Mary Kaye Cooper, têm sete filhos: cinco biológicos e dois adotados na China e Índia.

Ele prometeu fazer uma campanha limpa e respeitar seus rivais republicanos, além de Obama, que lidera a maioria das pesquisas de opinião sobre a disputa presidencial de 2012.

"Respeito o presidente. A pergunta que cada um de nós quer que os eleitores respondam é quem será o presidente melhor, não quem é o melhor norte-americano."

O nome de Huntsman tem pouco reconhecimento nacional, e muitas pesquisas atribuem a ele menos de 2 por cento de apoio, mas ele deixou o governo do Utah em agosto de 2009 com índices de aprovação muito elevados e uma reputação de conservadorismo fiscal.

Suas posições mais moderadas sobre questões sociais podem dificultar a conquista da candidatura republicana. A familiaridade com os eleitores é outro problema.

Um estudo recente do centro de pesquisas da Universidade de New Hampshire mostrou que Huntsman tem o apoio de apenas 1 por cento dos eleitores desse Estado, que é influente em função de sua primária em fevereiro. Setenta e um por cento dos entrevistados disseram que não tinham ouvido falar nele.

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