Republicano ofende Obama durante discurso sobre saúde

Deputado Joe Wilson, da Carolina do Sul, interrompe fala do presidente com grito de "Você mente!"

10 de setembro de 2009 | 08h12

 

 

WASHINGTON - Foi uma rara quebra de protoloco que governa os rituais no Capitólio. Em um ataque de raiva bastante audível, o deputado republicano Joe Wilson, da Carolina do Sul, interrompeu o discurso do presidente Barack Obama sobre a reforma do sistema de saúde com um grito de "você mente!".

 

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A agressão - sobre as declarações de Obama de que as propostas de saúde dos democratas não cobririam imigrantes ilegais - surpreendeu membros dos dois partidos da Casa. Segundo o jornal The New York Times, democratas disseram que a ação demonstrou falta de respeito pela presidência e foi uma lembrança das interrupções republicanas em fóruns públicos sobre o sistema de saúde.

 

Após o incidente, o congressista logo se transformou numa das personalidades mais citadas na internet. A Wikipedia chegou a fechar o verbete sobre ele para atualizações alegando vandalismo. No Twitter, seu nome está nos principais tópicos e usuários pedem para que os internautas condenem a quebra de protocolo, divulgado o site do republicano e o telefone de seu escritório. Quem tentou acessar o site de Wilson no Congresso (http://www.joewilson.house.gov)  encontrou a mensagem de que o endereço está em manutenção. No Facebook, onde usuários podem postar mais do que 140 caracteres, uma guerra de palavras dominou o perfil de Wilson.

 

Obama tinha completado a primeira parte de seu discurso, na qual expôs as linhas da reforma, e procedia a refutar o que considerava "mentiras" divulgadas em torno da medida. Assim, assegurou que "há quem afirme que nosso esforço de reforma assegurará aos imigrantes ilegais. Isto, também, é falso. As reformas que proponho não se aplicarão a que se encontre aqui ilegalmente". Nesse momento, o congressista republicano pela Carolina do Sul Joe Wilson gritou.

 

Desconcertado por um instante, o presidente americano interrompeu seu discurso um momento antes de prosseguir, enquanto a primeira-dama, Michelle Obama, movimentava a cabeça de um lado para outro em sinal de reprovação. Posteriormente, Wilson emitiu um comunicado no qual se desculpava por seu comportamento e assegurava que se havia "deixado levar por suas emoções".

 

"Apesar de estar em desacordo com as declarações do presidente, meu comentário foi inadequado e lamentável. Estendo minhas sinceras desculpas ao presidente pela minha falta de educação", indicou o congressista, que também expressou seu pesar em uma ligação telefônica ao chefe de Gabinete da Casa Branca, Rahm Emanuel.

 

Após o discurso de Obama, Wilson foi objeto de críticas inclusive entre seus correligionários republicanos. Em declarações à cadeia CNN, o senador John McCain, rival republicano de Obama nas eleições do ano passado, assegurou que o comportamento do congressista foi "completamente desrespeitoso" e deveria "desculpar-se imediatamente".

 

A interrupção de Wilson é pouco habitual, já que o protocolo contempla que nos discursos do presidente às duas Câmaras do Congresso, ocasiões de grande solenidade e que normalmente só sucedem uma vez ao ano, na apresentação do Estado da União, os legisladores da oposição mantenham a compostura e só manifestem seu desacordo ao não somar-se aos aplausos.

 

Mas a de Wilson, embora insólita, não foi a única interrupção que sofreu Obama. Anteriormente, os republicanos deixaram ouvir seus risos quando Obama assegurou, em um momento do discurso, que existia um "amplo consenso" sobre a maior parte da reforma apesar de se mantinham "diferenças significativas".

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