Darron Cummings/AP
Darron Cummings/AP

Republicano Richard Lugar perde para o ultraconservador Tea Party, em Indiana

Depois de 35 anos no Senado, Lugar foi vencido nas primárias do Estado por Party e não poderá concorrer à 7ª reeleição - que ocorreria em novembro

Denise Chrispim Marin, Correspondente, WASHINGTON,

09 Maio 2012 | 18h06

O Brasil perderá, a partir de 2013, um dos seus maiores defensores no Congresso americano. Depois de 35 anos no Senado dos Estados Unidos, o republicano Richard "Dick" Lugar foi derrotado nas primárias do Estado de Indiana pelas forças do ultraconservador Tea Party, nesta terça-feira, 8, e não poderá concorrer à sua sétima reeleição, em novembro. Político de centro, Lugar sobrevivia à guinada do partido republicano para a direita radical e era reverenciado como o mais atuante e preparado membro da Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Em dezembro passado, Lugar advertira para a necessidade de os EUA adotar uma "política visionária de expansão de comércio" com o Brasil, sob pena de perder empregos e oportunidades de negócios "para sempre". Criticou também a ausência de ambição da agenda do presidente americano, Barack Obama, para o Brasil. "Os EUA devem ter no Brasil seu mais importante parceiro comercial", insistiu, durante almoço promovido pela Câmara de Comércio Brasil-EUA.

O senador defendera, no plenário, interesses brasileiros na área agrícola, no fim das barreiras à importacão de etanol e em um acordo para eliminar a bitributação, lembrou Célia Feldpaushch, diretora executiva da Coalizão das Indústrias do Brasil, o lobby do setor em Washington. "Sem Lugar, ficamos sem nenhum forte simpatizante do Brasil no Congresso americano", lamentou.

Lugar, de 80 anos, enfrentara uma batalha nas urnas apenas em sua primeira eleição para o Senado, em 1976. Desde então, vinha se reelegendo sem grande esforço. Neste ano, o secretário do Tesouro de Indiana, Richard Mourdock, obteve 60% dos votos nas primárias, com o apoio do Tea Party e de outros grupos da direita radical republicana, entre os quais a Associação Nacional do Rifle, o Clube para o Crescimento e o FreedomWorks.

Moderado, Lugar naufragou por causa, especialmente, de suas posições políticas pouco conflitantes com as da Casa Branca. Nos últimos três anos, votara a favor das indicações de Obama para a Suprema Corte de Justiça e de projetos de lei do governo repudiados pelo partido republicano, como a concessão de cidadania aos filhos de imigrantes ilegais nascidos no país, o pacote de socorro aos bancos e o tratado com a Rússia de controle de armas nucleares. Facilmente, acabou tachado pelos seus rivais, em Indiana, como "amigo" do presidente.

As reações mais sensíveis à sua saída do Senado em 2013 vieram justamente da Casa Branca. "Embora Dick e eu não tenhamos sempre concordado com tudo, na minha época no Senado, eu o vi frequentemente disposto a cruzar o corredor para ter o trabalho concluído", afirmou Obama, em comunicado. "Nós nunca discutimos. Em questões de política exterior, nós raramente discordávamos", lembrou o vice-presidente, Joe Biden, ex-companheiro de Lugar na Comissão de Relações Exteriores.

Ao conhecer o resultado, Lugar lamentou as "profundas divisões políticas" nos EUA e sugeriu ao vencedor da primária, Richard Mourdock, rever seu objetivo de manter-se engessado nas posições radicais do partido. Mourdock vai concorrer pela vaga de Lugar no Senado com o deputado federal democrata Joe Donnely, em uma disputa que favorece o partido de Obama. Com Lugar, avaliam os democratas, a derrota seria certa.

 

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