Republicano vê possível paralisação de governo dos EUA

Um dos principais líderes republicanos não descartou a possibilidade de uma paralisação do governo dos EUA no próximo ano com os crescentes déficits federais, mas afirmou que se isso ocorrer, o presidente Barack Obama será o responsável.

THOMAS FERRARO, REUTERS

07 de novembro de 2010 | 18h14

Membro da Câmara dos Deputados, o republicano Whip Eric Cantor disse que cabe a Obama trabalhar com os republicanos, uma vez que eles venceram as eleições para a Casa na semana passada, prometendo cortar gastos e encolher o governo.

Em sua participação no programa "Fox News Sunday", Cantor se concentrou em Obama quando questionado se os republicanos poderiam fornecer garantias de que não iriam emperrar o governo em um confronto com a Casa Branca, interrompendo todos os serviços com exceção dos essenciais para milhões de americanos.

"O presidente tem uma responsabilidade igual ou maior que a do Congresso em assegurar que vamos continuar a funcionar de uma forma que o povo quer", disse Cantor.

"Este presidente, certamente, como em suas próprias palavras, tomou um golpe dos eleitores" na eleição de terça-feira, que deu a maioria na Câmara aos republicanos e reduziu a maioria democrata no Senado.

"É hora de ele vir nos convencer e dizer, 'Bem, vamos voltar para o tipo de coisa que os americanos querem. É viver dentro de nossas possibilidades", disse Cantor.

Como líder da maioria, Cantor é o número 2 do partido, atrás apenas de John Boehner, que deve ser o novo presidente da Câmara, substituindo Nancy Pelosi.

O déficit orçamentário dos EUA para o ano fiscal que terminou em 30 de setembro foi de 1,3 trilhão de dólares, com a dívida dos EUA chegando a 13 trilhões de dólares. O Congresso deve decidir no próximo ano se vai aumentar o limite da dívida de 14,3 trilhões de dólares.

Ao mesmo tempo, se a Casa Branca e o Congresso não concordarem com os planos de novos gastos, poderá haver uma paralisação do governo.

Obama herdou uma recessão profunda, quando tomou posse em janeiro de 2009. Dentro de alguns meses, com colegas democratas no Congresso conseguiu furar uma parede da oposição republicana, e aprovar um pacote de estímulos inédito de 814 bilhões de dólares.

A economia está crescendo de novo, mas o desemprego aumentou, atingindo a taxa de 9,6 por cento.

Os republicanos da Câmara pretendem reduzir os gastos em 100 bilhões de dólares no próximo ano, empurrando-o de volta aos níveis de 2008, protegendo apenas programas para idosos, militares e veteranos de guerra.

(Reportagem adicional de Donna Smith e Eric Faia)

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