Republicanos acusam Casa Branca de vazar informações em prol de Obama

Divulgação de informações sigilosas sobre segurança nacional seria para melhorar imagem do presidente dos EUA

Denise Chrispim Marin, O Estado de S. Paulo

10 de junho de 2012 | 18h23

WASHINGTON - Em uma nova onda de ataques políticos, líderes republicanos acusam a Casa Branca de ter vazado propositadamente informações sigilosas sobre segurança nacional para a imprensa, como meio de melhorar a imagem do presidente Barack Obama diante do eleitorado, e de ter também favorecido a indústria farmacêutica. A reação a ambos os casos tende a pesar sobre a candidatura de Obama à reeleição.

Em entrevista à rede de televisão CNN, ontem, o senador republicano John McCain afirmou ser o vazamento de informações secretas a maior violação vivida pelo setor de inteligência dos EUA. McCain, membro mais graduado de seu partido no Comitê de Serviços Armados do Senado e candidato derrotado por Obama em 2008, referiu-se a recente reportagem do New York Times sobre o envolvimento dos EUA em ciberataques contra o Irã.

Na semana passada, o procurador-geral dos EUA, Eric Holder, indicou dois subordinados para investigar o caso. Mas McCain indicou ser esse um jogo de cartas marcadas. O próprio Obama saiu em defesa de seu governo, no último dia 8, dizendo ser "ofensiva" a acusação "Está muito claro que a informação saiu do governo. Isso precisa de um conselho especial (para ser investigado), que seja altamente independente do Departamento de Justiça", declarou McCain ontem. "A credibilidade do senhor Holder no Congresso é zero."

McCain e seus aliados, porém, não se dizem preocupados apenas com esse episódio, mas também com os vazamentos de informação secreta sobre a "lista de morte" de Obama, com cerca de 15 militantes da Al-Qaeda, e a operação de execução de Osama Bin Laden, líder dessa organização terrorista, em maio de 2011.

E-mails trocados pela Casa Branca com representantes da indústria farmacêutica e memorandos oficiais, revelados pelo partido republicano, mostram o laço desconcertante entre Obama e o setor e um potencial escândalo político. A Casa Branca teria aliviado sua pressão sobre a indústria para a redução de preços de medicamentos em troca de apoio financeiro do lobby farmacêutico a sua campanha. O investimento do setor na publicidade eleitoral de Obama teria alcançado US$ 70 milhões.

O dossiê foi divulgado pelo Comitê de Energia e Comércio da Câmara dos Deputados no dia 8 e deverá ser levado em conta no julgamento da Suprema Corte sobre a constitucionalidade da Reforma de Saúde, aprovada em 2010.

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