Republicanos atacam democratas em debate nos EUA

Encontro que reúne nove pré-candidatos às eleições de 2008 é marcado por críticas à oposição

Efe,

05 de agosto de 2007 | 19h59

Os pré-candidatos republicanos às eleições do próximo ano nos Estados Unidos dirigiram suas miras contra os democratas, especialmente o senador Barack Obama, em um debate realizado neste domingo, 5, em que evitaram a luta interna. O debate entre os nove pré-candidatos - de 90 minutos - ocorreu na Universidade Drake, em Iowa, que será o primeiro estado a realizar as primárias, em janeiro. Os republicanos afirmaram que os democratas são membros de um partido que deseja subir os impostos e a rendição americana no Iraque. Obama foi o principal alvo das críticas por causa de seus comentários sobre política externa, mas os republicanos também criticaram Hillary Clinton, líder entre os pré-candidatos nas pesquisas para as primárias do Partido Democrata. O senador de Illinois foi criticado por dizer que estaria disposto a se reunir sem condições prévias com os líderes de países como Venezuela, Cuba, Coréia do Norte e Irã. Ele ainda afirmou que atacaria os alvos terroristas no Paquistão se o presidente do país, Pervez Musharraf, decidisse não fazê-lo. "Em uma semana disse que sentará para tomar o chá com nossos inimigos, para depois dizer que vai bombardear nossos amigos", afirmou o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney - que lidera as pesquisas em Iowa - no debate deste domingo. O veterano senador John McCain qualificou como "ingênuos" os comentários de Obama, que é criticado pelos seus oponentes democratas por sua pouca experiência em Washington. Os republicanos evitaram se pôr uns contra os outros, mas houve uma troca tensa de palavras incitada pelo moderador do debate, o jornalista George Stephanopoulos. Debate esquenta O apresentador mostrou uma gravação de uma mensagem automática da campanha do senador Sam Brownback enviada aos eleitores, que afirma que Romney apoiou medidas favoráveis ao aborto em Massachusetts e que sua mulher, Ann, doou dinheiro à Planned Parenthood, uma organização que defende o direito de abortar. Brownback afirmou que a mensagem é "verdadeira". Romney replicou: "Virtualmente nada no anúncio é verdadeiro". E mais: "Estou cansado de pessoas que se dizem mais santas que todas porque estiveram contra o aborto por mais tempo que eu". O ex-governador se manifestou a favor do aborto em sua campanha de 1994 para conseguir uma cadeira no Senado por Massachusetts, um dos estados mais liberais dos EUA, assim como em sua campanha de 2001 para ser governador. Atualmente afirma que mudou de opinião e é contra o aborto, que é rejeitado pela maioria dos eleitores conservadores do país. Sobre o Iraque, os republicanos concordaram em que as tropas americanas devem continuar no país, exceto o legislador Ron Paul, que compartilha da posição democrata. "Este é um momento fundamental na história dos EUA", disse McCain. "Devemos ganhar e não marcaremos uma data para nos render, como querem os democratas", acrescentou. "Não se alcança a paz com fraqueza e mansidão", afirmou o ex-prefeito de Nova York Rudolph Giuliani. "Devemos buscar a vitória no Iraque", acrescentou Giuliani. "Fomos ali (ao Iraque) de forma ilegal. Não declaramos guerra. Está durando demais", disse Paul, que finalizou: "Não deveríamos estar ali. Deveríamos simplesmente voltar para casa". O ex-senador Fred Thompson não participou do debate. Apesar de não ter anunciado oficialmente sua candidatura, ele está praticamente empatado em segundo lugar com Giuliani nas pesquisas em Iowa.

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