Republicanos e democratas lamentam morte de Kennedy

Senador também foi elogiado por mandatários de outros países por seu trabalho com causas sociais

26 de agosto de 2009 | 11h46

Democratas e republicanos se expressaram nesta quarta-feira, 26, sua condolências ao senador americano Edward Kennedy, que morreu na noite de terça aos 77 anos após uma longa batalha contra um câncer cerebral. O parlamentar era irmão do ex-presidente dos EUA John Kennedy e era considerado um símbolo da política americana.

 

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O presidente Barack Obama encabeçou as lamentações dos democratas. "Durante cinco décadas, praticamente toda importante ação legislativa para promover os direitos civis, a saúde e o bem-estar econômico do povo americano levou seu nome e foi frutificado por seu esforço", disse Obama.

 

A viúva de outro presidente, Ronald Reagan, foi uma das primeiras a se manifestar entre os republicanos. "Dadas nossas diferenças políticas, às vezes nos surpreendemos ao ver como eu e Ronaldo fomos próximos da família Kennedy", afirmou Nancy Reagan em uma declaração em Los Angeles.

 

Para o ator austríaco e atual governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, a perda foi pessoal. Kennedy, que nasceu no Estado, era tio de Maria Shriver, esposa de Schwarzenegger. "Ele era conhecido no mundo como o 'Leão do Senado', um paladino da justiça social e um ícone político. E, o mais importante, era a perda angular de nossa família: um grande marido, pai, irmão e tio", declarou o governador.

 

A atual secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, afirmou que Ted foi um "mentor generoso" e um "amigo muito querido". "Uno-me a todos os americanos para chorar o falecimento do senador Ted Kennedy, um dos nossos maiores homens de Estado". Em nota, a ex-primeira-dama destacou os esforços do senador para a impulsionar a reforma do sistema de saúde durante a gestão de seu marido, Bill Clinton.

 

O governador de Massachusetts, Mitt Romney, que foi aspirante à candidatura presidencial republicana, lembrou foi derrotado por Kennedy nas eleições para o Senado em 1994. Ainda assim, em 2006 uniram forças para aprovar uma lei sobre o seguro universal de saúde de Massachusetts.

 

O democrata de maior prestígio no Senado, Harry Reid, classificou Kennedy como o patriarca do partido. O líder da maioria no congresso prometeu que, enquanto se lamente pela morte do senador, retomará a campanha principal de Kennedy: a reforma do seguro de saúde. "O sonho de Ted Kennedy era pelo qual lutaram os fundadores da pátria e o que seus irmãos tentaram concretizar", afirmou Reid em uma declaração. "O rugido do velho leão liberal pode ter sido calado, mas seu sonho não morrerá jamais".

 

O senador John Kerry o elogiou por sua luta contra o câncer. "ele nos ensinou a lutar, a rir, a conviver e a concretizar o idealismo, e nesses últimos 14 meses nos ensinou muito mais sobre como viver a vida e encarar a adversidade", afirmou.

 

O governador do Novo México, o democrata Bill Richardson, figura influente do partido, qualificou a morte de Kennedy como uma "tragédia". "Ele foi um grande líder de direitos humanos, programas de saúde, um grande líder norte-americano, talvez o melhor senador da história dos EUA e um grande amigo", afirmou.

 

Repercussão mundial

 

Chefes de governo da Europa e ativistas dos direitos humanos também a dedicação de Kennedy a causas sociais mundiais como o processo de pacificação na Irlanda do Norte e a luta contra o Apartheid.

 

O senador foi lembrado por líderes de governo na Europa. "Ele viveu para a construção de pontes sobre dois grandes abismos: entre os católicos e os protestantes na Irlanda do Norte e entre negros e brancos nos próprios EUA", afirmou o ex-primeiro-ministro irlandês Bertie Ahern. "O progresso nessas questões, que foram os sonhos de sues irmãos em sua juventude, são o legado de uma vida longa e de um homem bom que, sem se importar quantas vezes tropeçou ou se a causa havia se estagnado, continuou com grande tenacidade e fé, que foram o símbolo de tudo o que fez e do homem que foi", continuou o ex-premiê.

 

Inicialmente um forte partidário da causa nacionalista irlandesa, Kennedy foi um promotor chave no processo de paz, pressionando por um lado o governo do Reino Unido para que negociasse com o partido Sinn Fein, vinculado ao Exército Paramilitar Republicano Irlandês, e por outro se aproximando dos unionistas protestantes. A presidente da Irlanda, Mary McAleese, disse que Kennedy será lembrado "como um amigo muito importante que o país teve em tempos difíceis".

 

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, disse que Kennedy "jamais deixou de lutar, inclusive quando enfrentou a doença e a morte", em sua defesa das causas sociais nos EUA, como a reforma do sistema de saúde pública e a reforma judicial. Segundo o premiê, haverá luto em "cada continente" pela morte do político americano, a quem qualificou de "o senador dos senadores". "Estou orgulhoso de ter contado com você como amigo e orgulhoso que o Reino Unido tenha reconhecido seus serviços este ano com a concessão do título honorário de cavalheiro", ressaltou.

 

Já o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair  destacou, o "apaixonado compromisso" do senador americano com o processo de paz na Irlanda do Norte. "O senador Kennedy foi uma figura que inspirou admiração, respeito e devoção, não só nos EUA, mas no mundo todo. Era um servidor público comprometido com os valores de justiça e oportunidade", contou Blair em comunicado.

 

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, enviou uma mensagem a Obama manifestando, "em nome do governo italiano, o pesar pela morte do senador Edward Kennedy", o qual sempre foi apreciado. Para Berlusconi, o senador americano foi "um modelo para os homens políticos que se reconhecem nos valores da democracia e da liberdade". "Peço que estenda estes sentimentos à família do senador", solicitou Berlusconi na mesma mensagem.

 

Para a chanceler alemã Angela Merkel, Kennedy "foi uma das personalidades políticas mais importante dos EUA durante décadas". "Sua defesa da justiça e da paz esteve marcada pela convicção e pela consistência", acrescentou. "Edward Kennedy foi uma extraordinária figura política para os Estados Unidos durante décadas. Seu compromisso com a justiça e a liberdade estava impregnado de convencimento e solidez", disse Angela, na mensagem no qual expressa suas condolências a Obama "e ao povo americano". "A Alemanha e a Europa perdem com o senador Kennedy um bom e prezado amigo", conclui a chanceler, que pede ao presidente Obama que transmita suas "mais sentidas condolências" aos parentes do falecido político.

 

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, chamou Kennedy de "grande amigo de Israel". "Ele foi um amigo durante 30 anos, um grande patriota americano, um grande defensor de um mundo melhor, um grande amigo de Israel", disse Netanyahu, citado por seu porta-voz.

 

Achmat Dangor, diretor da Fundação Nelson Mandela na África do Sul, afirmou que Kennedy foi um "portador da bandeira da democracia e dos direitos civis". "Ele fez com que sua voz fosse escutada na luta contra o apartheid em momentos nos quais a luta pela liberdade não tinha grande apoio no Ocidente. Somos agradecidos por seu papel", disse por meio de comunicado.

 

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