Republicanos iniciam ação para revogar reforma da saúde nos EUA

Os republicanos da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos abriram caminho para uma votação na próxima semana para revogar a lei de reforma da saúde do presidente Barack Obama, mesmo que os democratas tenham o poder de eventualmente vetar a decisão.

RICHARD COWAN E KIM DIXON, REUTERS

07 de janeiro de 2011 | 18h48

Dividida por linhas partidárias, com 236 a favor e 181 contra, a Câmara aprovou na sexta-feira as regras para debater o projeto de lei que revoga a reforma de saúde, com uma votação sobre o assunto prevista para 12 de janeiro.

Poucos democratas votaram com os republicanos para permitir o avanço dos debates, um dia depois que os líderes no Senado, controlado pelos democratas, avisaram que o esforço de revogar seria vetado por eles.

A Casa Branca também avisou na quinta-feira que Obama vetaria a legislação, caso o Congresso a enviasse à Presidência.

Chamando a lei da reforma da saúde de "um desastre econômico e fiscal de proporções inéditas", o deputado republicano David Dreier disse que "o tempo para desfazer a lei, antes que mais estragos sejam feitos, está se esgotando rapidamente."

Republicanos se empenharam para evidenciar o aspecto econômico da iniciativa, chamando sua legislação de "Ato de Revogação da Lei de Saúde que Acaba com Empregos."

Algumas cláusulas da lei já entraram em vigor, enquanto outras serão executadas nos próximos quatro ou cinco anos.

Os republicanos reclamam que a lei amarra empresas a custos elevados e regulamentos complicados, prejudicando a economia num momento em que a taxa de desemprego nos EUA está em 9,4 por cento.

Eles afirmam que, se a lei for revogada, eles agirão rapidamente para aprovar reformas mais eficazes para os seguros de saúde.

Os democratas anunciaram a lei como uma iniciativa histórica para oferecer seguro de saúde a mais de 30 milhões de pessoas que atualmente não podem pagar a cobertura e, ao mesmo tempo, reduzir os custos médicos e oferecer mais proteção ao consumidor.

"Podemos optar por fornecer valiosos benefícios para milhões de norte-americanos, amortizando o déficit nacional, ou podemos optar por encerrar as proteções de saúde importante para milhões e adicionar 230 bilhões de dólares ao déficit do país", disse a deputada democrata Louise Slaughter.

IMENSOS DÉFICITS ORÇAMENTÁRIOS

Os 230 bilhões de dólares referem-se a uma estimativa do Gabinete Orçamentário do Congresso sobre o impacto no déficit orçamentário dos EUA até 2021, caso a lei da reforma da saúde seja revogada.

Essa análise, que foi divulgada na quinta-feira, gerou um debate entre republicanos e democratas sobre o impacto fiscal da lei e os esforços para combater o déficit, que agora está em torno de 1,3 trilhão de dólares.

Republicanos rejeitaram a estimativa preliminar, dizendo que foi baseada em suposições erradas.

Os militantes do chamado Partido de Chá, de direita, que foi crucial para os republicanos na reconquista do controle da Câmara, consideram a lei de saúde como uma intromissão do governo, logo após o resgate de Washington aos bancos e indústria automotiva.

Ao revogar o que chamam de "Obamacare", os republicanos alegam que estão realizando a "vontade do povo" que votou neles nas eleições parlamentares de novembro.

Pesquisas de opinião mostram que os norte-americanos estão divididos sobre a lei, com metade afirmando que prefere esperar para ver como a lei funcionará.

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