Republicanos poderão ter dificuldade em obter apoio das mulheres

Depois do fraco apoio entre as mulheres na eleição presidencial de 2008, o Partido Republicano pode voltar a ter um problema com o sexo feminino.

PATRICIA ZENGERLE, REUTERS

02 de dezembro de 2011 | 12h57

Acusações de má conduta sexual contra Herman Cain, o tratamento de Newt Gingrich em relação às suas ex-mulheres e a retórica dura durante os debates levantaram preocupações entre alguns Republicanos sobre a capacidade do partido para atrair mulheres na corrida presidencial do próximo ano.

As mulheres norte-americanas têm, em geral, favorecido candidatos presidenciais Democratas há décadas, mas alguns estrategistas acreditam que os Republicanos poderiam tirar proveito de um "remorso de comprador" por causa da economia ruim e reconquistar as mulheres que ajudaram Barack Obama a chegar à Casa Branca em 2008.

Mas, em vez disso, alguns dos principais candidatos à nomeação Republicana podem afastar as mulheres.

"Acho que o Partido Republicano tem feito um desserviço, porque deveria estar fazendo mais esforço para atrair eleitores do sexo feminino", disse o estrategista Ford O'Connell, assessor da campanha de John McCain/Sarah Palin em 2008.

Apelar para as eleitoras será particularmente importante na disputa eleitoral contra Obama, que venceu a eleição em 2008 com a maior margem já registrada por um democrata entre eleitores do sexo feminino.

Como teve apoio de 56 por cento das mulheres, Obama conquistou a Casa Branca com apenas uma minoria, 49 por cento, de votos masculinos. Mais mulheres também participaram nas eleições gerais. Dados mostram que 10 milhões de mulheres a mais do que homens votaram em 2008.

Cain foi acusado de assédio a funcionárias quando chefiava a Associação Nacional de Restaurantes na década de 1990, acusações que ele tem repetidamente negado. Depois de uma alegação de que ele teve um longo caso extra-conjugal, o empresário disse esta semana que estava reavaliando sua campanha.

Algumas mulheres também levantaram questões sobre Gingrich, o ex-presidente da Câmara dos Deputados dos EUA. Concorrendo como estadista experiente com idéias conservadoras, Gingrich, de 68 anos, substituiu Cain como favorito dos republicanos no mês passado. Mas ele admitiu ter tido relações adúlteras em seus dois casamentos anteriores, o que poderia desagradar a algumas mulheres.

"Isso afeta o nível de confiança que muitas pessoas têm em um candidato", disse Maureen Olsen, presidente da Federação das Mulheres Republicanas de Iowa, sobre Gingrich. "Eu acho que ainda é uma questão importante, em particular nas alas mais conservadoras do partido."

Cain também tem sido criticado por comentários como o que fez em relação a Nancy Pelosi, líder Democrata na Câmara dos Deputados, ao chamá-la de "princesa Nancy" durante um debate.

Estrategistas afirmam que tal forma de falar pode afastar as eleitoras tanto quanto comentários ásperos em questões desde imigração e aborto até política nuclear iraniana.

"Eles vão ter que expressar algumas das suas posições em termos mais amigáveis. A natureza combativa de algumas posições parece desanimar as mulheres", disse O'Connell.

Estudos mostram que as mulheres geralmente tendem a favorecer candidatos vistos como conciliadores.

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