Shawn Thew/Efe
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Republicanos questionam Nobel da Paz concedido a Obama

'O que o presidente realmente conquistou?', indagou líder oposicionista; setores liberais também criticaram

Agência Estado e Associated Press,

09 de outubro de 2009 | 20h12

A notícia de que o presidente Barack Obama ganhou o prêmio Nobel da Paz dividiu opiniões nos Estados Unidos. Além dos esperados elogios de aliados democratas, o assunto foi alvo de censura do presidente do Partido Republicano, acabou criticado por blogueiros conservadores e gerou reclamações até de alguns setores liberais, que acham que o presidente fez muito pouco para resolver as guerras no Iraque e no Afeganistão.

 

"O que o presidente Obama realmente conquistou?", perguntou Michael Steele, presidente do Comitê Nacional Republicano. "É triste que a estrela de poder do presidente tenha ofuscado incansáveis defensores que conseguiram conquistas reais com seus trabalhos pela paz e pelos direitos humanos". Já o ex-presidente President Jimmy Carter, que ganhou o Nobel da Paz em 2002, chamou a escolha de Obama de "uma opinião corajosa de apoio internacional por sua visão e comprometimento."

 

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O ex-vice-presidente Al Gore, que dividiu o prêmio dois anos atrás, por sua vez, disse que Obama "foi merecedor" do Nobel. "Eu acho que muito do que ele já conquistou será apreciado mais adiante pelos olhos da história, como foi visto pelo comitê do Nobel", afirmou.

 

Alguns republicanos, entretanto, também fizeram elogios. O senador John McCain, rival de Obama durante a campanha presidencial, disse à CNN que não podia adivinhar as intenções do comitê do Nobel, "mas eu acho que parte do processo de decisão foi baseado em expectativas. E eu tenho certeza que o presidente entende que agora ele tem ainda mais responsabilidades. Mas, como norte-americanos, ficamos orgulhosos quando nosso presidente recebe um prêmio dessa categoria."

 

Já o deputado republicano Gresham Barrett, que concorre ao governo da Carolina do Sul, zombou do prêmio de Obama. "Eu não sei o que a comunidade internacional gosta mais: seus equívocos sobre o Afeganistão, a retirada dos mísseis de defesa no leste da Europa, o fato de ele ter dados as costas aos que lutam pela liberdade em Honduras, os mimos a (Fidel) Castro, o fato de ele ter tomado o lado dos palestinos contra Israel ou a falta de firmeza com o Irã", disse Barrett.

 

Os principais líderes republicanos no Congresso, senador Mitch McConnell e o deputado John Boehner não falaram sobre o prêmio recebido pelo presidente. Alguns comentaristas contestaram o valor do Prêmio Nobel de Paz, lembrando que o ex-presidente palestino, Yasser Arafat, foi um dos agraciados em 1994. "O que Obama fez?", perguntou Rick Moran em seu blog no American Thinker, um forte defensor de Israel. "Que paz ele negociou?... Eu suponho que uma organização que acredita que Yasser Arafat merece o mesmo prêmio não pode ser considerada com seriedade. Mas eles são."

 

Erick Erickson, que escreve no RedState.com, disse que Obama foi escolhido porque é negro. "Eu não tinha percebido que o Prêmio Nobel da Paz tinha uma cota de ações afirmativas, mas é a única coisa que eu posso deduzir com essa notícia", escreveu. "Não há como Barack Obama ter conquistado (o prêmio) no período de indicação."

 

A reação foi apenas um pouco melhor em alguns site liberais, nos quais os autores disseram que Obama deveria encerrar as guerras no Iraque e no Afeganistão antes de receber tal prêmio. Jim White, que escreve no firedoglake.com, disse que o presidente "demonstrou o desejo de encerrar a guerra no Iraque e de fechar Guantánamo. Até agora, porém, Obama apresentou apenas retórica sobre essas importantes questões. Suas ações, infelizmente, tendem a reforças o pior das políticas de (George W. ) Bush depois de uma espanada retórica."

 

Kevin Martin, o diretor executivo do Peace Action, um grupo que luta contra a guerra, disse ironicamente que "o prêmio foi dado no mesmo dia em que o Wall Street Journal relata que a administração estuda o envio de mais 60 mil soldados para o Afeganistão. O presidente Obama precisa provar que ele realmente é uma força pela paz."

 

Já o Global Zero, grupo que reúne líderes de todo o mundo na luta contra as armas nucleares, aplaudiu a concessão do prêmio a Obama, "em parte baseada em sua liderança para conquistar a eliminação das armas nucleares."

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