Retirada norte-americana do Iraque entra na etapa final

Os soldados norte-americanos transferiram na sexta-feira a posse seu último quartel às autoridades iraquianas, em mais um passo para o fim de nove anos de ocupação militar no país.

PATRICK MARKEY, REUTERS

16 de dezembro de 2011 | 19h57

Os cerca de 4.000 soldados dos EUA que permanecem no Iraque devem sair até 31 de dezembro. Os EUA chegaram a ter um contingente de 170.000 militares no país, para um conflito que custou a vida de quase 4.500 norte-americanos e dezenas de milhares de iraquianos.

"Viramos a última página da ocupação", disse Hussein al Asadi, assessor do primeiro-ministro Nuri al Maliki, no quartel Camp Adder, que fica 300 quilômetros ao sul de Bagdá.

Os ocupantes dessa base aérea estão sendo transferidos para o Kuweit, e deixando para trás alojamentos, geradores e outros materiais impossíveis de serem levados. Desde o mês passado, o lugar já virou uma cidade fantasma. Um pátio foi tomado por cadeiras, mesas e outros móveis doados às forças iraquianas. A transferência de posse geralmente acontece antes da entrega definitiva.

Das mais de 500 bases que os EUA chegaram a ter durante o conflito, poucas permanecem ainda ocupadas, e centenas de comboios com caminhões e veículos militares passam diariamente fazendo a "mudança" para o vizinho Kuweit.

Os EUA encerraram suas missões de combate em 2010, e já transferiram grande parte das funções de segurança às forças iraquianas.

Muitos iraquianos estão satisfeitos com o fim da presença militar norte-americana, mas temem que o governo não seja capaz de controlar a violência sectária, de manter o frágil equilíbrio político no país e de atrair os tão necessários investimentos econômicos.

O secretário de Defesa dos EUA, Leon Panetta, esteve na quinta-feira em Bagdá para uma cerimônia oficial de encerramento da guerra do Iraque, quando declarou que os sacrifícios valeram a pena para o estabelecimento de uma nação independente e estável.

A violência declinou fortemente desde o auge da violência sectária, em 2006/07, e curdos, sunitas e xiitas hoje mantêm um frágil governo de união nacional, ao mesmo tempo em que empresas estrangeiras ajudam a ampliar a produção petrolífera local.

Mas as tensões continuam em ebulição sob a superfície. A minoria sunita, que dominava o país na época de Saddam Hussein, se queixa de estar marginalizada no atual governo, controlado pela maioria xiita.

Na sexta-feira, centenas de policiais se mobilizaram para proteger a sede do conselho provincial na turbulenta província de Diyala, onde cerca de 500 xiitas protestaram pelo terceiro dia consecutivo contra uma iniciativa de políticos sunitas para darem mais autonomia à região.

(Reportagem adicional de Waleed Ibrahim e Fadhil al-Badrani)

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