Revelada falsa fonte que ajudou a promover guerra no Iraque

Homem inventou história sobre laboratórios de armas químicas para conseguir asilo político e enganou a CIA

Associated Press,

02 de novembro de 2007 | 15h50

O desertor iraquiano de codinome "Curveball", cujas mentiras sobre laboratórios de armas químicas reforçaram a defesa da invasão do Iraque pelo governo dos EUA, não era o engenheiro químico que alegava ser e inventou histórias para conseguir asilo político na Alemanha, diz uma reportagem que irá ao ar no telejornal americano 60 Minutes neste domingo. "Curveball" é Rafid Ahmed Alwan, que estudou engenharia química mas nunca chegou a se formar e jamais administrou uma fábrica de armas químicas, dirá a reportagem do programa da rede CBS, que descreverá como Alwan virou fonte dos serviços de espionagem.   Embora conhecido publicamente apenas pelo codinome, "Curveball" já foi desacreditado diversas vezes por meio de investigações dos erros cometidos pelos serviços de espionagem dos Estados Unidos no período anterior à guerra, e tornou-se um motivo de vergonha para as agências de inteligência americanas. Uma comissão presidencial determinou que Curveball era um mentirosos e um alcoólatra.   O 60 Minutes informa que Alwan chegou à Alemanha como refugiado em 1999 e começou a inventar histórias sobre laboratórios itinerantes de fabricação de armas químicas,  num esforço para obter asilo - no que foi bem sucedido: acredita-se que ele, hoje, viva na Alemanha sob uma nova identidade.   Embora agentes secretos alemães tenham avisado a CIA de que as histórias sobre fábricas móveis de armas químicas não mereciam confiança, e de inspeções da ONU não terem encontrado essas instalações, o governo Bush continuou a promover a existência dos laboratórios móveis por meses após a invasão.

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