Rice diz que iraquianos ainda não conseguem se defender sozinhos

As forças iraquianas ainda não podem defender o país sozinhas, e por isso Bagdá deve aceitar um pacto que permite que os militares norte- americanos permaneçam no Iraque, disse a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, na quarta-feira. Os Estados Unidos acreditam que o pacto negociado com o governo iraquiano é bom tal como está, afirmou Rice a repórteres durante uma viagem ao México. Bagdá irritou as autoridades de Washington, pedindo mudanças no que o governo Bush considera o "esboço final" do pacto. "O Iraque tem um forte interesse em assegurar que as forças da coalizão, as forças dos Estados Unidos, ficarão no Iraque por tempo suficiente para garantir os ganhos feitos até agora; tempo suficiente para que as forças de segurança iraquianas consigam assumir seus lugares de direito para defender o Iraque", disse Rice. "Mas eu não acho que ninguém acredite que eles consigam fazer isso sozinhos agora." Rice fez as declarações no avião rumo ao México, onde tem encontro marcado com a ministra das Relações Exteriores do país, Patricia Espinosa. Os Estados Unidos, que invadiram o Iraque em março de 2003 para derrubar Saddam Hussein, têm 155 mil militares no país, operando durante o mandato imposto pelo Conselho de Segurança da ONU, que expira no dia 31 de dezembro. O gabinete iraquiano decidiu na terça-feira exigir emendas ao pacto para que as forças norte-americanas fiquem além deste ano, apesar de o ministro das Relações Exteriores, Hoshiyar Zebari, ter dito que o Iraque não quer renegociar "a espinha dorsal" do acordo. Até agora, os líderes iraquianos têm sido cautelosos ao falar de suas oposições ao esboço, que exige que as forças dos Estados Unidos deixem o Iraque até o fim de 2011 além de fornecer às cortes iraquianas um mecanismo que as permitiria processar militares norte-americanos por crimes cometidos à durante seus horários de folga. Rice disse que os dois lados têm discutido a jurisdição legal das tropas norte-americanas acusadas de sérios delitos, além da questão dos detentos, mas não deu mais detalhes. "Acredito que essas coisas vão se resolver porque ambos os lados têm um grande interesse em finalizar isso", disse Rice. A secretária de Estado, no entanto, desconversou quando lhe perguntaram se o esboço atual seria a última oferta dos Estados Unidos. "É um bom acordo e nós fizemos tudo o que pudemos para garantir que as nossas tropas sejam protegidas e a soberania do Iraque, respeitada."

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