Rice pede desculpas a Obama por acesso indevido a passaporte

Secretária de Estado dos EUA disse sentir pela atitude de funcionários que olharam os registros do senador

REUTERS

21 de março de 2008 | 12h16

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, informou nesta sexta-feira, 21, que telefonou ao senador norte-americano Barack Obama para pedir desculpas pelo fato de três funcionários terceirizados de seu departamento terem acessado registros do passaporte dele de maneira indevida. "Eu disse a ele que sinto muito e eu disse que eu mesma me sentiria muito perturbada se eu descobrisse que alguém olhou meus registros de passaporte", disse Rice a jornalistas no início de uma reunião com o ministro da Defesa do Brasil, Nelson Jobim. Funcionários terceirizados do departamento de Estado tiveram acesso irregular aos dados do passaporte Obama em três ocasiões neste ano, no que a campanha presidencial dele afirmou ser uma "ultrajante violação" de sua privacidade. O departamento afirmou que sua avaliação inicial foi de que três funcionários, de áreas diferentes, olharam os registros por "curiosidade imprudente", e não por motivação política. Mesmo assim, o departamento determinou uma investigação. Os incidentes ocorreram em 9 de janeiro, 21 de fevereiro e 14 de março. Foram rapidamente informados a funcionários de baixo escalão, mas só chegaram ao conhecimento da cúpula por iniciativa de um repórter que contou o caso na quinta-feira por email ao porta-voz Sean McCormack. Dois dos três funcionários terceirizados foram demitidos logo depois da descoberta das violações, enquanto o terceiro sofreu sanções administrativas, mas manteve o emprego. "Trata-se de uma ultrajante violação da segurança e da privacidade, mesmo vindo de um governo que demonstra tão pouco respeito por ambos nos últimos oito anos", disse Bill Burton, porta-voz da campanha de Obama. "O dever do nosso governo é proteger a informação privada do povo norte-americano, não usá-la para propósitos políticos", acrescentou o porta-voz, exigindo que os responsáveis sejam apresentados. Obama soube dos incidentes na quinta-feira, e seus assessores vão receber informações mais detalhadas do subsecretário de Estado, Pat Kennedy, nesta sexta-feira. Um porta-voz de Hillary Clinton, adversária de Obama na disputa pela indicação democrata às eleições presidenciais de novembro, disse que "se for verdade, (a violação dos dados) é repreensível, e o governo Bush tem a responsabilidade de ir até o fundo disso". Em 1992, funcionários do Departamento de Estado provocaram polêmica ao vasculhar dados do passaporte e outros documentos do então candidato a presidente Bill Clinton. Na época, republicanos lançavam suspeitas sobre Clinton, marido de Hillary, por seu envolvimento em manifestações contra a guerra do Vietnã, em 1969, e por uma viagem a Moscou na mesma época. Uma investigação concluiu que os funcionários agiram mal, mas não violaram leis. Autoridades dos EUA disseram ter pedido ao inspetor-geral do Departamento de Estado que investigue como e por que os arquivos sobre Obama foram acessados e o que foi feito com a informação. O subsecretário Kennedy disse a jornalistas que possivelmente foram examinadas solicitações de passaporte feitas por Obama. Ao pedir o documento, o solicitante precisa apresentar informações como número da seguridade social, data de nascimento, endereço, telefone e nome de parentes. Autoridades disseram que o sistema de informática avisa quando dados de pessoas importantes são acessados, e que nesses casos a pessoa que acessou é questionada sobre os motivos.

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