Rice reafirma ameaça de programa nuclear iraniano

Secretária de Estado diz que EUA foram transparentes com a divulgação do relatório, 'enquanto o Irã não foi'

Agências internacionais,

05 de dezembro de 2007 | 11h57

A secretária de Estado americano, Condoleezza Rice, afirmou nesta quarta-feira, 5, que o relatório da inteligência não significa que o Irã não dever ser considerado uma ameaça. Rice está na Etiópia, onde pediu que a comunidade internacional não retroceda na pressão realizada pelo Conselho de Segurança da ONU para que o país interrompa o seu programa nuclear.  Veja também:Baradei vê 'oportunidade' para o Irã em relatório dos EUA Irã declara vitória após relatório sobre armas nucleares  "Existe uma visão bastante forte da administração americana de que o regime iraniano pode ser tornar problemático e perigoso e a comunidade internacional deve continuar a tentar impor sanções através do Conselho de Segurança das Nações Unidas". "O Irã precisa interromper o enriquecimento e o processamento de urânio pois essas atividades permitirão, se elas obtiverem êxito, material para a fabricação de uma arma nuclear", disse Rice. A secretária também criticou o estado da democracia no Irã depois de que o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que o relatório americano é uma "declaração de vitória". Ela não respondeu diretamente ao presidente, mas afirmou que a divulgação do documento mostra que a administração de Bush foi transparente e democrática, enquanto o Irã não foi. Segundo a BBC, em um discurso transmitido pela televisão iraniana, Ahmadinejad afirmou que o Irã não vai desistir do programa nuclear para fins pacíficos. "Eles (os Estados Unidos) anunciaram de forma explícita que a nação iraniana está no caminho certo na questão nuclear, que o Irã tem o direito", disse.  Falando para milhares de pessoas na cidade de Ilam, no oeste do Irã, o presidente disse que a avaliação feita pelos serviços secretos dos Estados Unidos foi um "golpe fatal" contra o que ele chamou de "impostores" que provocaram o mundo com mentiras a respeito do programa nuclear iraniano. O relatório dos serviços de inteligência americanos divulgado no começo da semana concluiu que o Irã paralisou o seu programa de armas nucleares em 2003. Os Estados Unidos e seus aliados europeus querem aprovar novas sanções contra o Irã nas Nações Unidas, mas a China, país membro permanente do Conselho de Segurança da ONU, questiona a necessidade de novas sanções em virtude do conteúdo do relatório americano.  Sanções ao Irã Os Estados Unidos e seus aliados europeus - que sempre acusaram os iranianos de desenvolver seu programa nuclear com o objetivo de criar armas, apesar das afirmações de Teerã de que busca a tecnologia exclusivamente para fins pacíficos - continuam pressionando o Conselho de Segurança a aprovar novas sanções contra o Irã. Mas, o embaixador da China na ONU, Wang Guangya, afirmou na terça-feira que o novo relatório dos serviços de inteligência americanos sobre o programa nuclear iraniano levanta questões a respeito da necessidade de novas sanções contra o Irã. A França e a Reino Unido, a exemplo de Bush, defenderam que seja mantida a pressão contra o Irã, enquanto Israel, que vê num Irã com armas nucleares uma ameaça à sua própria existência, demonstrou ceticismo com o relatório.  O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse que a campanha internacional contra o programa nuclear iraniano deve ser mantida. "É vital manter os esforços para evitar que o Irã desenvolva uma capacidade como esta [de ter armas], e vamos continuar fazendo assim junto com nossos amigos, os Estados Unidos", afirmou ele a jornalistas.  A ministra de Relações Exteriores de Israel, Tzipi Livni, pediu nesta quarta-feira ao corpo diplomático israelense que mantenha a campanha para endurecer as sanções contra o Irã, para que o país desista de seu programa nuclear, segundo informa o jornal Yediot Aharonot. Livni enviou a recomendação às embaixadas israelenses no mundo todo antes de iniciar uma viagem oficial à Eslovênia.

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