Rice vai à Geórgia para garantir acordo de cessar-fogo

Secretária de Estado diz que EUA não permitiriam assinatura de proposta que não projeta interesses de Tbilisi

Agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 07h46

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, chegou na Geórgia nesta sexta-feira, 15, para mostrar o apoio dos Estados Unidos ao conflito da ex-república soviética contra a Rússia e os separatistas da Ossétia do Sul, província pró-Moscou, e garantir o cumprimento do cessar-fogo mediado pela França. Segundo Rice, o acordo de trégua precisa de esclarecimentos para proteger os interesses georgianos.   Veja também: Rússia desafia EUA e apoiará separatistas Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Rússia e Geórgia concordaram com os termos do documento, mas o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, se recusou a assiná-lo, pedindo mais detalhes. "Este deve ser um acordo de cessar-fogo formal", disse Rice aos jornalistas durante o vôo até Tbilisi, capital do país. "Porém, para chegar a esse extremo, uma série de pontos requerem alguns esclarecimentos importantes para assegurar que os interesses geórgianos estão protegidos". "Porque os EUA nunca pedirão para que a Geórgia assine algo em que seus interesses são estão protegidos", afirmou.   Rice se reuniu na quinta-feira com o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e com o ministro de Relações Exteriores do país, Bernard Kouchner, para saber da mediação do chefe de Estado no conflito entre a Rússia e a Geórgia e reiterar seu apoio. A chegada da chefe da diplomacia americana à capital georgiana foi mostrada ao vivo pela televisão do país. Ela foi recebida ao descer do avião pela chanceler georgiana, Eka Tkeshelashvili.   A primeira atividade de Rice em Tbilisi será se reunir com os funcionários americanos responsáveis pela distribuição da ajuda humanitária que os Estados Unidos começaram a enviar à Geórgia na quarta-feira. Em seguida, a secretária de Estado americana se reunirá com Saakashvili, e depois visitará feridos em um hospital de Tbilisi, e deixará ainda nesta sexta a capital georgiana para retornar aos EUA.   O pacto prevê a retirada das tropas de combate russas, mas, como uma concessão, permite a presença das forças de paz da Rússia que estavam na Ossétia do Sul e na Abkázia antes do início da crise. Elas terão permissão de patrulhar áreas fora das fronteiras das províncias até a chegada de novas forças de paz e observadores de outros países. Saakashvili disse na noite de quinta à CNN que precisava "dar uma boa olhada" na proposta antes de assiná-la.   Ameaça americana   Na quinta-feira, o secretário americano de Defesa, Robert Gates, advertiu que as relações entre Washington e Moscou podem ser afetadas por muito tempo caso os russos não respeitem o cessar-fogo e não se retirem da Geórgia. "O comportamento da Rússia tem profundas implicações no desenvolvimento futuro de nosso relacionamento, tanto na Otan quanto bilateralmente", afirmou Gates, que foi diretor da CIA. Apesar de ter negado a possibilidade de os EUA recorrerem ao uso da força no conflito, Gates disse que é "necessário haver conseqüências para as ações que a Rússia tomou contra um Estado soberano". Mas ele não especificou como a Rússia seria punida.   As declarações, as mais duras já feitas por uma autoridade dos EUA desde o início do conflito, foram feitas logo depois de a Rússia reiterar seu apoio incondicional às aspirações de independência das províncias separatistas da Geórgia. O chanceler russo, Sergei Lavrov, declarou que o mundo "pode esquecer quaisquer negociações sobre a integridade territorial da Geórgia". "É impossível persuadir a Ossétia do Sul e a Abkázia a concordar com o argumento de que podem ser forçadas a retornar ao Estado georgiano", disse.   A Rússia também levantou suspeitas sobre o envio de ajuda humanitária dos EUA à Geórgia, anunciada pelo presidente George W. Bush na quarta-feira. Segundo a France Press, a chancelaria russa advertiu os EUA que "é importante se abster de qualquer passo que possa ser interpretado pela Geórgia como apoio às suas ambições de revanche, o que poderia levar a um novo cenário trágico".   Os russos continuam em controle da estratégica cidade de Gori, fora da Ossétia do Sul e a 70 km da capital georgiana, Tbilisi, depois que uma tentativa de patrulhamento conjunto com a polícia georgiana fracassou. Moscou diz que já começaram a devolver o controle de Gori à polícia da Geórgia, mas insistem que a permanência das suas tropas na cidade é necessária para manter a lei e a ordem.   Autoridades da Geórgia se dirigiram a Gori nesta sexta-feira para negociar com os russos a entrega da cidade, que serviu de base para o ataque georgiano contra à Ossétia do Sul. Desde então, a cidade se tornou um ponto estratégico e foi tomada pelos russos, que revidaram a incursão das tropas da Geórgia contra a região separatista.

Tudo o que sabemos sobre:
GeórgiaRussiaEUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.