Rice vai à Índia, mas não assina acordo nuclear

Histórico acordo de comércio nuclear dá ao país acesso a combustível, reatores e tecnologia dos EUA

SUSAN CORNWELL E KRITTIVAS MUKHERJEE, REUTERS

04 de outubro de 2008 | 13h36

A secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, disse neste sábado,4, que um histórico acordo de comércio nuclear com a Índia foi completado, mas ela não pôde assiná-lo durante sua visita a nova Délhi por causa de empecilhos burocráticos do lado norte-americano. O acordo que permite à Índia acesso a combustível nuclear, reatores e tecnologia dos EUA foi efetivado pelo Congresso norte-americano ao ser aprovado pelo Senado na quarta-feira. A medida pôs fim a três décadas de proibição de comércio nuclear com a Índia, imposta depois que o país testou pela primeira vez armas nucleares, em 1974. Autoridades dos EUA esperavam que Rice pudesse assinar o acordo durante sua viagem de um dia ao país para celebrar o pacto, uma das prioridades do segundo mandato do presidente George W. Bush. Mas Rice, falando após conversações com o chanceler indiano, Pranab Mukherjee, indicou que procedimentos administrativos no Capitólio haviam retardado o envio da legislação a Bush, para sua sanção. Ela garantiu aos jornalistas que o acordo será assinado em "breve" e não haverá mudanças de última hora no texto. "Acho que vocês sabem que nosso ramo legislativo esteve muito ocupado nos últimos dias", acrescentou Rice, referindo-se ao plano de resgate financeiro de 700 bilhões de dólares. Os defensores do acordo afirmam que ele aproxima as duas maiores democracias do mundo ao mesmo tempo que abre o mercado de energia nuclear indiano, avaliado em bilhões de dólares. Mas críticos dizem que o pacto impõe graves danos aos esforços mundiais para conter a proliferação de armas nucleares, ao permitir que a Índia importe combustível e tecnologia nuclear apesar de haver feito testes de armas atômicas e não ser signatária do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Rice disse que a experiência de negociar o acordo com a Índia fez com que os laços com o país se tornassem "um dos mais fortes" relacionamentos que o governo Bush deixará para seu sucessor.

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